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Arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari): onde vive, o licuri e por que está ameaçada

Nível de leitura: Ensino Médio

123 Ecos Redação

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Atualizado em: 04/11/2026

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A arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari) é uma arara que só existe na Caatinga do nordeste da Bahia. Dorme e faz ninho em paredões de arenito e se alimenta sobretudo dos frutos da palmeira licuri. Na lista nacional de 2026, está Vulnerável à extinção.

FichaDados
Nome comumArara-azul-de-lear
Nome científicoAnodorhynchus leari Bonaparte, 1856
Ordem e famíliaPsittaciformes; Psittacidae
Onde viveSó no Brasil, na Caatinga do nordeste da Bahia
Alimento principalFrutos da palmeira licuri (Syagrus coronata)
População1.263 aves contadas em 2012; no máximo 228 adultos reprodutores, pela estimativa de 2010 (ICMBio, 2018)
Situação na IUCNEm Perigo, na avaliação global citada pela ficha do ICMBio (2018)
Situação no BrasilVulnerável (Portaria MMA 1.704/2026)

A arara-azul-de-lear é uma das aves que o site apresenta em Aves do Brasil. Não é a mesma espécie da arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus), assunto do Projeto Arara Azul.

Onde vive

Segundo a ficha da espécie no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção (ICMBio, 2018), a arara-azul-de-lear só vive na Caatinga, no nordeste da Bahia, nos municípios de Jeremoabo, Canudos, Paulo Afonso, Santa Brígida, Glória, Rodelas, Euclides da Cunha e Monte Santo.

Em 1994, um bando de 36 aves foi visto em Campo Formoso e Sento Sé, a cerca de 185 km da população principal. Segundo a ficha de 2018, restavam ali dois indivíduos. Em 1997, foram descobertas áreas de alimentação na terra indígena dos Pankararé, em Paulo Afonso; os indígenas relataram que, mais de 40 anos antes, as araras eram centenas e que havia ninhos nas serras da reserva.

A ficha registra a espécie na Estação Ecológica Raso da Catarina e na Área de Proteção Ambiental Estadual Serra Branca/Raso da Catarina, na Bahia.

Como vive

Segundo o ICMBio (2018):

  • dorme e faz ninho em cavidades de paredões de arenito; sai ao amanhecer para comer e volta no fim da tarde;
  • as áreas de alimentação ficam num raio de até 60 km dos dormitórios;
  • come principalmente os frutos do licuri; outras fontes de alimento são a baraúna, o pinhão, a flor do sisal, o umbu, a mucunã e o milho verde;
  • só se conhecem dois sítios usados como dormitório e ninho: a Toca Velha, em Canudos, e a Serra Branca, em Jeremoabo, na parte sul da Estação Ecológica Raso da Catarina;
  • a reprodução começa entre setembro e outubro e vai até julho; vários casais podem fazer ninho no mesmo paredão;
  • o filhote leva cerca de 100 dias, desde que sai do ovo, até começar a deixar o ninho; macho e fêmea se revezam no cuidado.

Você sabia?

A arara-azul-de-lear era conhecida pela ciência muito antes de ser vista livre. Segundo a ficha do ICMBio (2018), ela foi descrita em 1856 e só foi descoberta na natureza em 1978.

Quantas são

A ficha de 2018 mostra as contagens nos dormitórios ao longo do tempo:

ÉpocaAves contadas
Anos 1970maior grupo observado, de 21 aves
Anos 1980cerca de 60
Fim dos anos 1990de 95 a 132
2001246
20101.123
20121.263

A ficha avisa que as contagens dos anos 1990 podiam não ser precisas, por causa de equipes pequenas e do pouco conhecimento dos dormitórios. Com o método melhorado, as contagens atuais têm “uma confiabilidade razoável”, segundo a ficha, que considera a população em aumento.

O número de adultos que se reproduzem é bem menor do que o total contado. Pela estimativa da ficha, havia no máximo 114 ninhos na temporada de 2010, nos dois sítios de reprodução, o que dá “no máximo, 228 indivíduos maduros”. A justificativa da categoria, na ficha, cita esses 228 indivíduos maduros.

Ameaças

Segundo o ICMBio (2018), uma das ameaças mais sérias é a diminuição do licuri. As palmeiras parecem estar em declínio forte na área da arara, por causa da criação de gado, das queimadas, do desmatamento e da mineração, e muitas áreas de licuri viram plantações de milho. Só cerca de 5% das áreas de alimentação conhecidas ficam em áreas protegidas.

Sem licuri, as araras se aproximam das roças de milho, o que aumenta o conflito com os agricultores e o risco de captura. O tráfico continua: a ficha registra 48 aves (ovos, filhotes ou adultos) retiradas da natureza para o comércio ilegal entre 1998 e 2011, número que já representa mais de 4% da população, pelo censo de 2010. Segundo a ficha, a espécie é uma das mais cobiçadas no mercado ilegal internacional, com aves vendidas no México e apreendidas em Portugal e no Reino Unido.

Conservação

Na avaliação nacional anterior, a espécie estava Criticamente em Perigo. Na avaliação publicada em 2018, passou a Em Perigo, e a ficha dá como motivo uma “mudança genuína no estado de conservação”. Na lista da Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026, está Vulnerável.

Segundo a ficha de 2018, o governo brasileiro trabalha pela espécie desde 1993. Em 2001, foi criado o Programa de Conservação e Manejo da Arara-azul-de-lear, coordenado pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (Cemave). O plano de manejo de 2006 virou, em 2012, o Plano de Ação Nacional para a Conservação da Arara-azul-de-lear, depois incorporado ao plano das aves da Caatinga.

Desde 2006, o programa ressarce com sacas de milho os produtores que comprovam prejuízo com o ataque das araras às roças. Em 2013, foi criado o programa de cativeiro da espécie, que tinha 127 aves em 16 instituições, segundo a ficha. A ficha recomenda envolver cada vez mais as comunidades locais, plantar licuri junto com o milho e manejar com urgência a pequena população de Sento Sé e Campo Formoso.

Fontes

O tema completo, reunido na vitrine Enciclopédia da Fauna Brasileira →

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