Consumismo é o hábito de comprar e acumular bens e serviços além do que se precisa, em geral movido pelo desejo de status, pela publicidade ou pela busca de satisfação pessoal por meio do consumo. O termo também descreve uma sociedade organizada em torno do consumo, em que comprar passa a ser uma forma de se identificar e de pertencer a um grupo.
Consumir é necessário para viver. O consumismo começa quando o consumo deixa de ser um meio para atender às necessidades e passa a ser um fim em si mesmo.
Como os estudiosos explicam o consumismo #
- Thorstein Veblen (1899): o economista americano criou a expressão consumo conspícuo no livro A Teoria da Classe Ociosa. Ele descreveu como as classes ricas compravam bens caros para mostrar a sua posição social, e como esse padrão era imitado pelas outras classes.
- Victor Lebow (1955): o economista e consultor de varejo escreveu, no Journal of Retailing, que a economia americana do pós-guerra exigia que o consumo se tornasse um modo de vida. O texto é citado com frequência como retrato da sociedade de consumo.
- Jean Baudrillard (1970): no livro A Sociedade de Consumo, o sociólogo francês argumentou que as pessoas consomem não só objetos, mas os significados associados a eles, como prestígio e identidade.
- Zygmunt Bauman (2007): no livro Vida para Consumo, o sociólogo polonês descreveu uma sociedade em que as próprias pessoas passam a ser tratadas como mercadorias e a satisfação nunca é completa.
Fatores que estimulam o consumismo #
- Publicidade e marketing: cresceram ao longo do século XX e, hoje, chegam ao consumidor também pelas redes sociais e pelos influenciadores digitais.
- Crédito fácil: permite comprar antes de ter o dinheiro, o que pode levar ao endividamento.
- Obsolescência programada: a obsolescência programada é a prática de projetar produtos para durar menos. Um caso documentado é o do cartel Phoebus: em 1924, fabricantes de lâmpadas da Europa e dos Estados Unidos combinaram limitar a vida útil das lâmpadas a mil horas, segundo o historiador Markus Krajewski.
- Moda e tecnologia: lançamentos frequentes fazem produtos que ainda funcionam parecerem ultrapassados.
Consequências #
Para o planeta #
A Global Footprint Network calcula todo ano o Dia da Sobrecarga da Terra, a data em que a humanidade esgota o que o planeta consegue regenerar no ano. Em 2026, foi 30 de julho. A humanidade usa o equivalente a 1,73 Terra. Veja Dia da Sobrecarga da Terra e Pegada ecológica.
O consumo também é desigual. Segundo o IPCC (2022), os 10% de famílias que mais emitem respondem por 34% a 45% das emissões de gases de efeito estufa ligadas ao consumo das famílias no mundo. Os 50% que menos emitem respondem por 13% a 15%.
Mais produção e mais descarte significam mais extração de recursos naturais, mais emissões e mais resíduos, como plástico e lixo eletrônico.
Para as pessoas #
O consumo acima da renda leva ao endividamento. Pesquisadores também estudam a relação entre materialismo e bem-estar. Uma revisão de 2014, coordenada pela psicóloga Helga Dittmar e publicada no Journal of Personality and Social Psychology, reuniu dados de 259 amostras de pesquisa e encontrou uma relação consistente entre valores materialistas e menor bem-estar.
População e consumo #
A ONU projeta que a população mundial chegará ao máximo de cerca de 10,3 bilhões de pessoas em meados dos anos 2080 e depois começará a diminuir. Por isso, muitos pesquisadores destacam que o impacto ambiental depende tanto do número de pessoas quanto do quanto e do que cada uma consome.
Alternativas estudadas #
- Economia circular: modelo em que os produtos são projetados para durar, ser consertados, reaproveitados e reciclados.
- Políticas públicas: no Brasil, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010) estabelece a ordem de prioridade: não gerar, reduzir, reutilizar, reciclar, tratar e, por último, dispor em aterro.
- Consumo consciente: escolher considerando o impacto ambiental e social do produto. Veja Consumo consciente e consumo responsável.
- Simplicidade voluntária e minimalismo: modos de vida com menos bens. Veja Reduzir o consumo.
- Mudança de estilo de vida apoiada por políticas: o IPCC estima que mudanças no consumo, com apoio de infraestrutura e políticas públicas, podem reduzir de 40% a 70% das emissões até 2050.
Resumo: principais perguntas e respostas #
É o hábito de comprar e acumular além do necessário, movido por status, publicidade ou busca de satisfação. Também descreve uma sociedade organizada em torno do consumo.
Mais extração de recursos, mais emissões e mais lixo. Pelo cálculo de 2026, a humanidade usa o equivalente a 1,73 Terra, segundo a Global Footprint Network. Para as pessoas, o consumo acima da renda leva ao endividamento.
Entre os autores mais citados estão Thorstein Veblen, que criou a expressão consumo conspícuo (1899), Jean Baudrillard, autor de A Sociedade de Consumo (1970), e Zygmunt Bauman, autor de Vida para Consumo (2007).
Fontes #
- Veblen, T. The Theory of the Leisure Class, 1899.
- Lebow, V. “Price Competition in 1955”. Journal of Retailing, 31(1), 1955.
- Baudrillard, J. La Société de consommation, 1970.
- Bauman, Z. Vida para Consumo. Zahar, 2008 (original de 2007).
- Krajewski, M. “The Great Lightbulb Conspiracy”. IEEE Spectrum, 2014. Resumo em Conversable Economist.
- Dittmar, H. e colegas. “The relationship between materialism and personal well-being: a meta-analysis”. Journal of Personality and Social Psychology, 107(5), p. 879–924, 2014.
- Global Footprint Network. Earth Overshoot Day 2026.
- IPCC. Climate Change 2022: Mitigation of Climate Change, Resumo para Formuladores de Políticas, B.3.4 e C.10. IPCC.
- Oxfam. Confronting Carbon Inequality, 2020.
- ONU. World Population Prospects 2024: Key Messages. ONU.
- Brasil. Lei 12.305/2010, art. 9º. Planalto.

