Consumismo: o que é, origens, consequências e dados

Atualizado em: 28/10/2026 · Nível de leitura: Ensino Médio

Uma mulher sentada em um banco e em volta muitas sacolas de compras, representa o consumismo desenfreado que provocamos sem necessidade
A crença do Consumismo faz a pessoa coisas que na verdade não precisa...

Consumismo é o hábito de comprar e acumular bens e serviços além do que se precisa, em geral movido pelo desejo de status, pela publicidade ou pela busca de satisfação pessoal por meio do consumo. O termo também descreve uma sociedade organizada em torno do consumo, em que comprar passa a ser uma forma de se identificar e de pertencer a um grupo.

Consumir é necessário para viver. O consumismo começa quando o consumo deixa de ser um meio para atender às necessidades e passa a ser um fim em si mesmo.

Como os estudiosos explicam o consumismo #

  • Thorstein Veblen (1899): o economista americano criou a expressão consumo conspícuo no livro A Teoria da Classe Ociosa. Ele descreveu como as classes ricas compravam bens caros para mostrar a sua posição social, e como esse padrão era imitado pelas outras classes.
  • Victor Lebow (1955): o economista e consultor de varejo escreveu, no Journal of Retailing, que a economia americana do pós-guerra exigia que o consumo se tornasse um modo de vida. O texto é citado com frequência como retrato da sociedade de consumo.
  • Jean Baudrillard (1970): no livro A Sociedade de Consumo, o sociólogo francês argumentou que as pessoas consomem não só objetos, mas os significados associados a eles, como prestígio e identidade.
  • Zygmunt Bauman (2007): no livro Vida para Consumo, o sociólogo polonês descreveu uma sociedade em que as próprias pessoas passam a ser tratadas como mercadorias e a satisfação nunca é completa.

Fatores que estimulam o consumismo #

  • Publicidade e marketing: cresceram ao longo do século XX e, hoje, chegam ao consumidor também pelas redes sociais e pelos influenciadores digitais.
  • Crédito fácil: permite comprar antes de ter o dinheiro, o que pode levar ao endividamento.
  • Obsolescência programada: a obsolescência programada é a prática de projetar produtos para durar menos. Um caso documentado é o do cartel Phoebus: em 1924, fabricantes de lâmpadas da Europa e dos Estados Unidos combinaram limitar a vida útil das lâmpadas a mil horas, segundo o historiador Markus Krajewski.
  • Moda e tecnologia: lançamentos frequentes fazem produtos que ainda funcionam parecerem ultrapassados.

Consequências #

Para o planeta #

A Global Footprint Network calcula todo ano o Dia da Sobrecarga da Terra, a data em que a humanidade esgota o que o planeta consegue regenerar no ano. Em 2026, foi 30 de julho. A humanidade usa o equivalente a 1,73 Terra. Veja Dia da Sobrecarga da Terra e Pegada ecológica.

O consumo também é desigual. Segundo o IPCC (2022), os 10% de famílias que mais emitem respondem por 34% a 45% das emissões de gases de efeito estufa ligadas ao consumo das famílias no mundo. Os 50% que menos emitem respondem por 13% a 15%.

Mais produção e mais descarte significam mais extração de recursos naturais, mais emissões e mais resíduos, como plástico e lixo eletrônico.

Para as pessoas #

O consumo acima da renda leva ao endividamento. Pesquisadores também estudam a relação entre materialismo e bem-estar. Uma revisão de 2014, coordenada pela psicóloga Helga Dittmar e publicada no Journal of Personality and Social Psychology, reuniu dados de 259 amostras de pesquisa e encontrou uma relação consistente entre valores materialistas e menor bem-estar.

População e consumo #

A ONU projeta que a população mundial chegará ao máximo de cerca de 10,3 bilhões de pessoas em meados dos anos 2080 e depois começará a diminuir. Por isso, muitos pesquisadores destacam que o impacto ambiental depende tanto do número de pessoas quanto do quanto e do que cada uma consome.

Alternativas estudadas #

  • Economia circular: modelo em que os produtos são projetados para durar, ser consertados, reaproveitados e reciclados.
  • Políticas públicas: no Brasil, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010) estabelece a ordem de prioridade: não gerar, reduzir, reutilizar, reciclar, tratar e, por último, dispor em aterro.
  • Consumo consciente: escolher considerando o impacto ambiental e social do produto. Veja Consumo consciente e consumo responsável.
  • Simplicidade voluntária e minimalismo: modos de vida com menos bens. Veja Reduzir o consumo.
  • Mudança de estilo de vida apoiada por políticas: o IPCC estima que mudanças no consumo, com apoio de infraestrutura e políticas públicas, podem reduzir de 40% a 70% das emissões até 2050.

Resumo: principais perguntas e respostas #

O que é consumismo?

É o hábito de comprar e acumular além do necessário, movido por status, publicidade ou busca de satisfação. Também descreve uma sociedade organizada em torno do consumo.

Quais são as consequências do consumismo?

Mais extração de recursos, mais emissões e mais lixo. Pelo cálculo de 2026, a humanidade usa o equivalente a 1,73 Terra, segundo a Global Footprint Network. Para as pessoas, o consumo acima da renda leva ao endividamento.

Quem estudou o consumismo?

Entre os autores mais citados estão Thorstein Veblen, que criou a expressão consumo conspícuo (1899), Jean Baudrillard, autor de A Sociedade de Consumo (1970), e Zygmunt Bauman, autor de Vida para Consumo (2007).

Fontes #

  • Veblen, T. The Theory of the Leisure Class, 1899.
  • Lebow, V. “Price Competition in 1955”. Journal of Retailing, 31(1), 1955.
  • Baudrillard, J. La Société de consommation, 1970.
  • Bauman, Z. Vida para Consumo. Zahar, 2008 (original de 2007).
  • Krajewski, M. “The Great Lightbulb Conspiracy”. IEEE Spectrum, 2014. Resumo em Conversable Economist.
  • Dittmar, H. e colegas. “The relationship between materialism and personal well-being: a meta-analysis”. Journal of Personality and Social Psychology, 107(5), p. 879–924, 2014.
  • Global Footprint Network. Earth Overshoot Day 2026.
  • IPCC. Climate Change 2022: Mitigation of Climate Change, Resumo para Formuladores de Políticas, B.3.4 e C.10. IPCC.
  • Oxfam. Confronting Carbon Inequality, 2020.
  • ONU. World Population Prospects 2024: Key Messages. ONU.
  • Brasil. Lei 12.305/2010, art. 9º. Planalto.

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