Equilíbrio ecológico é a situação em que um ecossistema se mantém estável ao longo do tempo: as espécies continuam lá, as populações sobem e descem dentro de certos limites, e a energia e os nutrientes continuam circulando. Não quer dizer que nada muda. Quer dizer que as mudanças se compensam.
Um equilíbrio que se mexe #
Os ecólogos chamam esse estado de equilíbrio dinâmico. Um exemplo simples:
- Num ano de muita chuva, o capim cresce bastante.
- Com mais comida, as capivaras têm mais filhotes.
- Com mais capivaras, as onças e os jacarés caçam mais e também se reproduzem mais.
- Com mais predadores e menos capim por animal, o número de capivaras volta a cair.
A população nunca fica parada, mas também não cresce sem fim nem some. Ela oscila em torno de um valor. É isso que se chama equilíbrio.
O que mantém o equilíbrio #
- Predação e parasitismo: predadores e parasitas freiam o crescimento das presas e dos hospedeiros.
- Competição: quando uma população cresce, falta comida e espaço, e o crescimento desacelera. Veja Demoecologia.
- Ciclagem de nutrientes: os decompositores devolvem ao solo e à água o que as plantas usaram. Veja Ciclo de nutrientes.
- Diversidade: em ecossistemas com muitas espécies, se uma falta, outra pode cumprir um papel parecido.
- Mutualismos: relações como a polinização mantêm a reprodução das plantas e, com ela, a comida de muitos animais.
A polinização é um bom exemplo de como o equilíbrio natural chega até as pessoas. Segundo a avaliação do IPBES de 2016, cerca de 75% dos tipos de cultivo alimentar do mundo dependem, ao menos em parte, da polinização por animais. Veja Polinização.
Resistência e resiliência #
Todo ecossistema passa por perturbações: secas, enchentes, incêndios, ventanias. Duas palavras descrevem como ele reage:
- Resistência: a capacidade de aguentar a perturbação sem mudar muito. Uma floresta resistente perde poucas árvores numa seca.
- Resiliência: a capacidade de voltar ao estado anterior depois da perturbação. Uma floresta resiliente se recupera em poucos anos depois de um incêndio.
Um ecossistema pode ser pouco resistente e muito resiliente. Muitas áreas do Cerrado queimam com frequência, mas as plantas rebrotam depressa, porque guardam partes debaixo da terra. Veja Ecologia vegetal.
O limite: quando o equilíbrio se rompe #
A resiliência tem limite. Se a perturbação for forte demais, ou se várias se somarem, o ecossistema pode não voltar ao que era e passar para outro estado, por exemplo de floresta para uma vegetação aberta.
Um exemplo brasileiro: a resiliência da Amazônia #
O Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA), coordenado pelo INPA, estuda há décadas como a floresta reage às perturbações. Uma síntese desses estudos, publicada na revista Nature em 2012 e resumida pela Agência FAPESP, concluiu que:
- a floresta é resiliente a secas moderadas;
- essa capacidade tem limites, que a ação humana pode ultrapassar;
- a soma de desmatamento, fogo e seca pode reduzir o carbono guardado e mudar o regime de chuvas e a vazão dos rios;
- há sinais de que partes do sul e do leste da floresta caminham para um estado dominado por perturbações.
É a ideia de equilíbrio dinâmico em grande escala: a floresta absorve choques, mas não qualquer choque. Veja O que acontece quando um ecossistema passa do ponto de não retorno?
Como o equilíbrio se refaz: a sucessão ecológica #
Quando uma perturbação abre um espaço, como uma árvore grande que cai na floresta ou um pasto abandonado, o ecossistema não volta ao que era de uma vez. Ele passa por etapas, num processo chamado sucessão ecológica:
- Pioneiras: chegam primeiro plantas que crescem depressa e gostam de sol, como capins e arbustos.
- Intermediárias: essas plantas criam sombra e solo mais rico, e aí conseguem crescer árvores de crescimento rápido, como as embaúbas.
- Maduras: com o tempo, árvores de crescimento lento, que precisam de sombra quando jovens, voltam a dominar.
A cada etapa, chegam animais diferentes, que trazem sementes e ajudam a acelerar o processo. A sucessão é a resiliência em ação: o jeito que a natureza tem de reconstruir o equilíbrio depois de uma perturbação.
Equilíbrio ecológico e as pessoas #
O equilíbrio dos ecossistemas sustenta coisas de que as pessoas dependem: água limpa, solo fértil, polinização das lavouras, pesca, clima estável. Esses benefícios se chamam serviços ecossistêmicos. Quando o equilíbrio se rompe, esses serviços diminuem.
As principais ameaças, como a perda de habitat, a poluição e as mudanças climáticas, estão em Desequilíbrio ecológico.
Como se protege o equilíbrio #
- Manter áreas naturais grandes e ligadas entre si, com unidades de conservação e corredores. Veja Corredores ecológicos.
- Proteger as espécies-chave, como grandes predadores e dispersores de sementes.
- Recuperar áreas degradadas, para devolver ao ecossistema a capacidade de se recompor. Veja Recuperação de áreas degradadas.
- Controlar espécies invasoras, que entram na teia sem os seus inimigos naturais.
Resumo: principais perguntas e respostas #
É a estabilidade de um ecossistema ao longo do tempo: as espécies permanecem e as populações variam, mas dentro de certos limites.
Porque nada fica parado. Populações sobem e descem, mas as mudanças se compensam, como entre presas e predadores.
Resistência é aguentar uma perturbação sem mudar muito. Resiliência é voltar ao estado anterior depois dela.
Sim. Se a perturbação for forte demais, ou se várias se somarem, o ecossistema pode não se recuperar e passar para outro estado.
Segundo o IPBES, cerca de 75% dos tipos de cultivo alimentar do mundo dependem, ao menos em parte, da polinização por animais.
Fontes #
- IPBES. Press release: pollinators vital to our food supply under threat. Fev. 2016.
- Davidson, E. A. e colegas. The Amazon basin in transition. Nature, 481, p. 321–328, 2012.
- Agência FAPESP. Nature destaca resultados de programa brasileiro de pesquisa sobre a Amazônia. 19 jan. 2012.
- Begon, M.; Townsend, C. R.; Harper, J. L. Ecology: from individuals to ecosystems. 4ª ed. Blackwell, 2006.

