O Parque Nacional Povos Indígenas do Rio Tanaru é uma área protegida de floresta no sul de Rondônia, criada pelo Decreto nº 13.016, de 10 de junho de 2026, com cerca de 7.638 hectares. Fica na terra onde viveu, até 2022, o último homem do povo Tanaru, e um dos objetivos do parque é preservar a memória desse povo. É administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), em gestão integrada com a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e em parceria com os povos indígenas, como manda o decreto.
| Ficha | Dados |
|---|---|
| Nome | Parque Nacional Povos Indígenas do Rio Tanaru |
| Categoria | parque nacional (proteção integral) |
| Administração | ICMBio, em gestão integrada com a Funai |
| Estado e municípios | Rondônia; Chupinguaia, Corumbiara, Parecis e Pimenteiras do Oeste |
| Bioma | Amazônia (CNUC), na transição para o Cerrado (decreto) |
| Área | Cerca de 7.638 hectares |
| Criação | Decreto nº 13.016, de 10 de junho de 2026 |
| Plano de manejo e conselho | Ainda não tem (CNUC, julho de 2026) |
Os dados do quadro vêm do decreto e do Cadastro Nacional de Unidades de Conservação (CNUC).
Onde fica #
O parque fica no sul de Rondônia, perto da fronteira com a Bolívia, em quatro municípios: Chupinguaia, Corumbiara, Parecis e Pimenteiras do Oeste. É quase todo de floresta e está cercado por fazendas de gado e lavouras, segundo o Supremo Tribunal Federal (STF). Pelo CNUC, toda a área está no bioma Amazônia; o decreto fala em “zona de transição entre os biomas Amazônia e Cerrado“. O decreto também criou uma zona de amortecimento em volta do parque.
O que protege #
Pelo decreto, o parque foi criado para:
- proteger um trecho de floresta na transição entre a Amazônia e o Cerrado;
- proteger animais ameaçados, como o macaco-aranha, o macaco-barrigudo e a onça-pintada;
- preservar sítios arqueológicos, históricos e simbólicos ligados à memória do povo Tanaru e à resistência indígena;
- proteger as águas e as áreas de recarga do Sistema Aquífero Parecis;
- formar um corredor ecológico entre as Terras Indígenas Rio Mequéns e Rio Omerê;
- permitir a pesquisa, a educação ambiental, a recreação e o turismo ecológico, com destaque para a herança indígena.
Como foi criado #
Segundo o STF, em agosto de 1996 a Funai encontrou sinais de indígenas isolados entre os rios Taboca e Tanaru. Em dezembro daquele ano, uma equipe avistou uma palhoça e um homem adulto, que ficou conhecido como “índio do buraco” ou “Tanaru”. O nome dele e a língua do seu povo nunca foram conhecidos. O acompanhamento mostrou que ele era o último sobrevivente do grupo. Uma decisão judicial protegeu 8.070 hectares em volta da área onde ele vivia.
Em agosto de 2022, ele foi encontrado morto na rede, sem sinais de violência. Depois disso, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) pediu ao STF, dentro da ADPF 991, que a proteção da área continuasse. Em maio de 2025, as partes fizeram um acordo no STF para criar uma unidade de conservação, e em setembro de 2025 o ministro Edson Fachin aprovou o plano. O decreto de criação do parque saiu em 10 de junho de 2026. Sobre os povos indígenas no país, leia Comunidades indígenas do Brasil.
Resumo: principais perguntas e respostas #
No sul de Rondônia, perto da fronteira com a Bolívia, em Chupinguaia, Corumbiara, Parecis e Pimenteiras do Oeste.
Em 10 de junho de 2026, pelo Decreto nº 13.016.
Era o último homem do povo Tanaru, visto pela primeira vez pela Funai em 1996. Viveu sozinho na área até morrer, em agosto de 2022. Seu nome e sua língua nunca foram conhecidos.
Floresta na transição entre a Amazônia e o Cerrado, animais ameaçados como o macaco-aranha e a onça-pintada, nascentes do Aquífero Parecis e os sítios ligados à memória do povo Tanaru.
Cerca de 7.638 hectares. É o menor parque nacional da região Norte, segundo o CNUC.
Fontes #
- Brasil. Decreto nº 13.016, de 10 de junho de 2026. Cria o parque nacional Povos Indígenas do Rio Tanaru.
- Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Cadastro Nacional de Unidades de Conservação (CNUC). Dados de julho de 2026.
- Supremo Tribunal Federal. 135 anos do STF: como o Tribunal atuou para preservar a memória de um povo indígena dizimado.
