Gestão Florestal e Recursos Naturais

Borracha natural: seringueira, produção e importação no Brasil

Nível de leitura: Ensino Médio

123 Ecos Redação

Nossa equipe de redação é formada por especialistas pós graduados em diversas áreas e são apaixonados pelo tema Sustentabilidade

Atualizado em: 31/10/2026

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Em poucas palavras

A borracha natural é feita do látex da seringueira (Hevea brasiliensis), árvore nativa da Amazônia. Os plantios na Amazônia foram arrasados por um fungo, o mal-das-folhas, e a produção foi para regiões com estação seca, como São Paulo, hoje o maior produtor. Mesmo assim, o Brasil importa boa parte da borracha que consome.

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A borracha natural é o material elástico feito do látex, um líquido branco que escorre quando se faz um corte raso na casca da seringueira (Hevea brasiliensis). A seringueira é uma árvore originária da região amazônica (Embrapa, Evolução da produção de borracha). No Brasil, cerca de 80% da borracha produzida vai para fábricas de pneus (IEA, junho de 2025).

Da floresta ao ciclo da borracha

Entre 1870 e 1910, a procura mundial por borracha fez crescer a extração de látex das seringueiras nativas da Amazônia, no período conhecido como ciclo da borracha (Embrapa). Era uma atividade extrativista, feita nas árvores nativas da floresta. O extrativismo ainda existe, sobretudo em reservas extrativistas da Amazônia (o tema está em extrativismo vegetal e em Chico Mendes), mas hoje responde por uma parte pequena do total: em 1996, a borracha nativa era cerca de 10% da produção brasileira (Embrapa Amazônia Oriental, 1997).

Por que a produção saiu da Amazônia

Quando se tentou plantar seringueiras em fileiras na Amazônia, apareceu o mal-das-folhas, doença causada pelo fungo Microcyclus ulei. O fungo derruba as folhas da árvore repetidas vezes e pode matá-la. Segundo a Embrapa, a doença levou ao abandono de 75 mil hectares de seringais plantados, sobretudo na Amazônia (Embrapa). O fungo é considerado o parasita mais perigoso da seringueira no hemisfério ocidental. Controlar a doença com fungicida exigia de 8 a 12 aplicações e saía caro, e clones que resistiam numa região adoeciam em outra (Embrapa Amazônia Oriental, 1997).

A saída foi plantar nas áreas de escape: regiões com uma estação chuvosa seguida de uma estação seca longa. Nelas, a árvore adulta troca as folhas no meio da seca, quando o tempo não favorece o fungo. O fungo precisa de pelo menos 8 horas seguidas com umidade do ar acima de 90%, condição rara nessas regiões (mesma fonte). Por isso os seringais foram para estados como São Paulo e Minas Gerais (Embrapa).

Quanto o Brasil produz

São Paulo é o maior produtor do país. O Instituto de Economia Agrícola (IEA) estimou a produção paulista em 273,5 mil toneladas na safra 2023/24, 3,2% abaixo da safra anterior, numa área de 115,4 mil hectares (IEA, junho de 2025). Pelo Censo Agropecuário de 2022 do IBGE, citado pela AgFeed, o Brasil produziu 398 mil toneladas de borracha natural, em cerca de 193 mil hectares, e São Paulo respondia por quase 70% do total (AgFeed, 11/3/2025).

Quanto o Brasil importa

O país de origem da seringueira compra de fora boa parte da borracha que usa. As estimativas variam com a fonte e o ano:

EstimativaFonte
A produção nacional supre cerca de 35% da necessidade; o resto vem sobretudo da Indonésia, da Tailândia, da Malásia e do VietnãEmbrapa, com base em Bastos (2014)
O Brasil importa de 40% a 50% da borracha natural que usaApabor, associação dos produtores, citada pela AgFeed (2025)

Na Ásia está cerca de 90% da produção mundial de borracha natural (AgFeed, 2025). Nos quatro primeiros meses de 2025, a importação brasileira de borracha natural do tipo TSNR cresceu 50% em volume e 95,2% em valor em relação ao mesmo período de 2024, segundo o IEA com dados do ComexStat (IEA, junho de 2025). Em 2023 o governo subiu para 10,8% o imposto de importação da borracha natural, e em agosto de 2025 a Camex manteve a alíquota por mais 24 meses, a pedido da CNA (IstoÉ Dinheiro, 28/8/2025).

Borracha natural e sustentabilidade

O látex é colhido sem derrubar a árvore. Na floresta, ele é um dos produtos florestais não madeireiros, que geram renda com a floresta em pé. A história da seringueira também mostra um limite: o plantio em grande escala só deu certo onde o clima não favorece o fungo.

Termos vizinhos

  • Extrativismo vegetal (link).
  • Reservas extrativistas (link).
  • Produtos florestais não madeireiros (link).
  • Sistemas agroflorestais (link).

Resumo: principais perguntas e respostas

De onde vem a borracha natural?

Do látex da seringueira (Hevea brasiliensis), árvore originária da Amazônia.

Por que a borracha não é mais produzida principalmente na Amazônia?

Porque o mal-das-folhas, causado pelo fungo Microcyclus ulei, arrasou os seringais plantados lá. A produção foi para regiões com estação seca, como São Paulo, onde o fungo não se espalha.

Qual estado produz mais borracha natural?

São Paulo, com 273,5 mil toneladas na safra 2023/24, segundo o IEA.

O Brasil importa borracha?

Sim. A Apabor, associação dos produtores, estima que de 40% a 50% da borracha natural usada no país é importada (2025); pela Embrapa, com dados de 2014, a produção nacional supria cerca de 35% da necessidade. O resto vem sobretudo do Sudeste Asiático.

O que foi o ciclo da borracha?

O período, sobretudo entre 1870 e 1910, em que a procura mundial fez crescer a extração de látex das seringueiras nativas da Amazônia.

Fontes

Impresso de https://123ecos.com.br/docs/borracha-natural-seringueira-producao-e-importacao-no-brasil/ · Atualizado em 31/10/2026 · 123 Ecos

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