Biotecnologia e Bioinovação

Bioinsumos agrícolas: o que são, tipos e usos

Nível de leitura: Ensino Médio

123 Ecos Redação

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Atualizado em: 31/10/2026

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Em poucas palavras

Bioinsumos agrícolas são produtos, processos ou tecnologias de origem vegetal, animal ou microbiana usados na lavoura, como inoculantes, biofertilizantes e agentes de controle biológico. Desde 2024 têm lei própria. Os vendidos precisam de registro. Biológico não quer dizer sem risco: há bula, cuidados e controle de qualidade.

Uma mulher segurando um erlenmeyer com uma muda de planta em seu interior, representando os bioinsumos agrícolas.
O que são bioinsumos agrícolas?
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Bioinsumos agrícolas são, pela Lei 15.070, de 23/12/2024, o “produto, processo ou tecnologia de origem vegetal, animal ou microbiana, incluído o oriundo de processo biotecnológico” que interfere no crescimento ou na resposta de plantas, animais, microrganismos ou do solo (art. 2º, II). A lei vale para a agricultura, a pecuária, a aquicultura e as florestas, e para “todos os sistemas de cultivo, incluídos o convencional, o orgânico e o de base agroecológica” (art. 1º). Ela foi publicada no Diário Oficial em 24/12/2024 e passou a valer no mesmo dia.

Os tipos

A lei cita, entre os bioinsumos, quatro grupos (Lei 15.070/2024, art. 1º, § 2º):

  • Agentes biológicos de controle: pela lei dos agrotóxicos e afins, um “organismo vivo, de ocorrência natural ou obtido por manipulação genética”, introduzido no ambiente para controlar outro organismo considerado nocivo (Lei 14.785/2023, art. 2º, IV). É o grupo dos biodefensivos.
  • Inoculantes: produtos com microrganismos. Na soja, a bactéria Bradyrhizobium faz a fixação biológica do nitrogênio, que tira o nitrogênio do ar e o passa para a planta (Revista Cultivar, 19/11/2024). O tema está em ciclo do nitrogênio.
  • Biofertilizantes, tratados em biofertilizantes.
  • Condicionadores de solo.

Registro e produção na fazenda

Todo bioinsumo produzido ou importado para venda precisa de registro no órgão federal de defesa agropecuária, com algumas exceções previstas na lei (arts. 4º e 9º). Para os produtos novos de controle de pragas e doenças, os órgãos de saúde e de meio ambiente “deverão manifestar-se” no processo de registro (art. 8º). A lei também permite que o agricultor produza bioinsumos para uso próprio, numa unidade “de finalidade não comercial”, e proíbe vender o que sai dela (arts. 2º, XVI, e 10) (Lei 15.070/2024).

Antes da lei, o Decreto 10.375, de 26/5/2020, já tinha criado o Programa Nacional de Bioinsumos, “com a finalidade de ampliar e de fortalecer a utilização de bioinsumos no País”.

Quanto o uso cresceu

O quêNúmeroFonte
Produtos de controle biológico registradosde 26 em 2011 para 616 em 2023Embrapa, via Agência Gov, 26/2/2024
Área tratada com controle biológico70 milhões de hectares em 2022Embrapa, via Agência Gov
Crescimento anual do mercado de biopesticidas, em cinco anos45%, contra 6% dos químicosEmbrapa, via Agência Gov
Bioinsumos registrados em 2025162, o maior número já registrado num anoMapa, via Agrolink, 5/1/2026

O que se sabe medido

  • O que o fabricante informa: cada produto registrado tem rótulo e bula, onde o fabricante diz para que cultura e para que praga, doença ou função ele serve, a dose e o modo de usar. O registro dos produtos pode ser consultado no Agrofit, o sistema oficial do Ministério da Agricultura (Revista Cultivar, 11/4/2016).
  • O que foi medido por quem usa: o que existe publicado é a área tratada, 70 milhões de hectares em 2022 (Embrapa). Na consulta de 31/10/2026, não achei levantamento publicado por produtores sobre o resultado na lavoura.
  • O que foi medido por pesquisa de fora: a Embrapa analisou bioinsumos feitos na fazenda. Em amostras da bactéria Bacillus thuringiensis (Bt) produzidas em Mato Grosso e Goiás, a maioria não tinha Bt, e cresciam bactérias como Enterococcus faecalis e Acinetobacter baumannii, esta resistente a vários antibióticos. Em inoculantes feitos na fazenda em cinco estados, o Bradyrhizobium não estava em nenhuma amostra. No Vale do São Francisco, as 12 amostras de cinco propriedades estavam contaminadas, e 75% tinham Salmonella (Revista Cultivar, 19/11/2024).

O que o registro não garante

O registro vale para o produto registrado, feito como foi aprovado. Ele não cobre o Bioinsumo feito na fazenda, que não passa por registro. Em audiência na Câmara em 2021, a Anvisa alertou que, sem controle de qualidade, a produção pode gerar espécies ineficientes, contaminação por agentes de doença e espécies que produzem toxinas; o Ibama alertou para a contaminação do solo e da água e para a entrada de espécies exóticas (Notícias Agrícolas, 8/10/2021).

Mito: bioinsumo não deixa resíduo nem tem carência

Não é assim. O produto registrado para controlar pragas tem rótulo e bula, e a lei dos agrotóxicos e afins manda que a bula traga o intervalo de segurança, o tempo entre a aplicação e a colheita, e as precauções para quem aplica (Lei 14.785/2023, art. 43). Quem diz qual é o intervalo é a bula de cada produto, e não a palavra “biológico”. A lei dos bioinsumos, de 2024, prevê um regulamento próprio; na consulta de 31/10/2026, a obrigação da bula estava nessa lei de 2023. E o produto feito na fazenda, sem registro, pode trazer outros microrganismos: a Embrapa achou bactérias de doença em amostras assim (Revista Cultivar, 19/11/2024).

Você sabia?

Pesquisadores da Embrapa Soja lembram que é “praticamente impossível eliminar microrganismos introduzidos no solo”: um microrganismo aplicado numa lavoura pode se espalhar para as áreas vizinhas (Revista Cultivar, 19/11/2024).

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Resumo: principais perguntas e respostas

O que são bioinsumos agrícolas?

Pela Lei 15.070/2024, são produtos, processos ou tecnologias de origem vegetal, animal ou microbiana que interferem no crescimento ou na resposta de plantas, animais, microrganismos ou do solo.

Quais são os tipos de bioinsumos?

A lei cita agentes biológicos de controle, inoculantes, biofertilizantes e condicionadores de solo.

bioinsumo precisa de registro?

Sim, quando é produzido ou importado para venda, salvo as exceções da lei. O feito na fazenda para uso próprio não pode ser vendido.

bioinsumo é sempre seguro?

Não por definição. A Embrapa achou contaminação por bactérias de doença em amostras feitas na fazenda, e o produto registrado tem bula com cuidados e intervalo de segurança.

Quantos bioinsumos são registrados no Brasil?

Os produtos de controle biológico passaram de 26 em 2011 para 616 em 2023, segundo a Embrapa; em 2025 foram registrados 162 bioinsumos, segundo o Mapa.

Fontes

O tema completo, reunido na vitrine Ciência, Tecnologia e Inovação →

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Impresso de https://123ecos.com.br/docs/bioinsumos-agricolas/ · Atualizado em 31/10/2026 · 123 Ecos

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