123 Ecos Redação
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Atualizado em: 02/11/2026
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Os estoques públicos de alimentos são produtos agrícolas que estão “em poder da União”, nas palavras da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a empresa pública que os administra. A Conab publica todo mês uma série histórica desses estoques, por produto, com dados desde 1987 (Conab, Série Histórica de Estoques Públicos, setembro de 2026).
Como o governo forma os estoques
Segundo a Conab, os estoques públicos são formados por instrumentos da Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM) e por compras para programas sociais. Os principais são:
| Instrumento | O que é, segundo a Conab |
|---|---|
| Aquisição do Governo Federal (AGF) | o governo compra o produto do produtor rural, do agricultor familiar ou da cooperativa “quando o preço de mercado estiver abaixo do preço mínimo”, desde que o Tesouro Nacional repasse o dinheiro |
| Contrato de Opção | “uma modalidade de seguro de preços” que dá ao produtor “o direito – mas não a obrigação – de vender seu produto para o Governo, numa data futura, a um preço previamente fixado” |
| Compras da agricultura familiar | compras para atender a programas sociais ou de abastecimento |
Fontes: páginas da Conab sobre a AGF e o Contrato de Opção; introdução da série histórica.
Segundo a Conab, o Contrato de Opção “permite ao Governo formar estoques públicos e também serve para proteger o produtor rural e suas cooperativas contra riscos de queda nos preços”.
Para onde vão os estoques
A página de estoques públicos da Conab lista os destinos: venda dos estoques, com ou sem subvenção; doação “para atendimento emergencial, programas sociais e de ajuda humanitária”; o Programa de Venda em Balcão; e a troca de produtos para programas sociais (Conab, Estoques Públicos).
No Programa de Venda em Balcão, a Conab vende milho em grãos dos estoques públicos a criadores rurais de pequeno porte, para alimentação animal, a preços definidos por pesquisa de mercado, “buscando compatibilidade com os valores praticados no mercado atacadista local” (Conab, Venda em Balcão).
Quanto havia em setembro de 2026
| Produto | Estoque público em 30/9/2026 (t) |
|---|---|
| Arroz | 293.997 |
| Milho | 108.678 |
| Trigo | 6.582 |
| Farinha de mandioca | 4.543 |
| Feijão | 272 |
Fonte: Conab, Série Histórica de Estoques Públicos, setembro de 2026, Tabelas 4, 8, 18, 21 e 25. O estoque é o do último dia do mês. A série traz também estoques menores de outros produtos, como fécula de mandioca (1.337 t) e leite (1.059 t), nas Tabelas 28 e 30.
No arroz, cerca de dois terços vêm de contratos de opção (194.508 toneladas) e um terço de AGF (98.820 toneladas), pela nossa conta com a série. Em setembro de 2026, todo o estoque de milho era de AGF. Café e algodão não aparecem mais: a série do café termina com estoque zero em 2023, e a do algodão termina em 2016.
Como os estoques mudaram
| Produto | Maior estoque da série | Estoque em dezembro de 2023 | Estoque em setembro de 2026 |
|---|---|---|---|
| Arroz | 5.271.979 t (agosto de 1988) | 0 | 293.997 t |
| Milho | 7.354.540 t (julho de 1987) | 350.067 t | 108.678 t |
| Trigo | 1.275.964 t (dezembro de 2010) | 0 | 6.582 t |
| Feijão | 201.640 t (abril de 2010) | 45.000 t | 272 t |
Fonte: Conab, Série Histórica de Estoques Públicos, setembro de 2026. Os meses de pico são conta nossa sobre as tabelas mensais.
O arroz é o caso que mais chama a atenção na série recente: o estoque público ficou em zero em todos os meses de 2023, voltou a crescer a partir de junho de 2025 e chegou a 293.997 toneladas em setembro de 2026. Para comparar, a safra de arroz de 2025/26 foi de 11,08 milhões de toneladas, segundo a Conab; o estoque público equivale a cerca de 2,7% dela, pela nossa conta.
Outro programa que compra alimentos da agricultura familiar, com regras próprias, está em Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).
Um engano comum
“O governo guarda hoje grandes estoques de comida para o país.” Pela série da Conab, os estoques públicos de 2026 são pequenos perto do passado e perto da produção: o maior, o de arroz, tinha cerca de 294 mil toneladas em setembro de 2026, menos de um décimo do que havia no fim dos anos 1980.
Resumo: principais perguntas e respostas
São produtos agrícolas comprados e guardados pelo governo federal, por meio da Conab, pela política de preços mínimos ou para programas sociais.
Principalmente pela Aquisição do Governo Federal (AGF), quando o preço de mercado fica abaixo do preço mínimo, e pelo Contrato de Opção, que dá ao produtor o direito de vender ao governo numa data futura por um preço fixado.
293.997 toneladas em 30 de setembro de 2026, segundo a Conab. Em todo o ano de 2023, o estoque público de arroz foi zero.
Segundo a Conab, para apoiar o preço ao produtor e para abastecer vendas, doações e programas sociais, como a venda de milho a pequenos criadores no Programa de Venda em Balcão.
Fontes
- Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Série Histórica de Estoques Públicos: produto, setembro de 2026. Brasília, 2026. Introdução e Tabelas 1, 2, 4, 5, 8, 15, 18, 21, 25, 28 e 30.
- Conab. Páginas Estoques Públicos, Aquisição do Governo Federal (AGF), Contrato de Opção e Venda em Balcão. Consultadas em 2/11/2026.
- Conab. Acompanhamento da Safra Brasileira de Grãos, outubro de 2026, Tabela 1 (produção de arroz).
O tema completo, reunido na vitrine Agropecuária Sustentável →
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