Gestão da Economia Circular e Logística Sustentável

Simbiose industrial: quando o resíduo de uma fábrica vira insumo de outra

Nível de leitura: Ensino Médio

123 Ecos Redação

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Atualizado em: 02/11/2026

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Em poucas palavras

Simbiose industrial é o arranjo em que o resíduo de uma indústria vira recurso para uma ou mais indústrias vizinhas. O exemplo mais citado é Kalundborg, na Dinamarca, onde as trocas começaram sem plano e cresceram ao longo de décadas: água, gás, vapor, calor, cinzas, lodo e gesso. Pela Plataforma Europeia de Economia Circular, hoje são 17 empresas públicas e privadas e mais de 20 fluxos.

Simbiose industrial: fábricas ligadas por canos e esteiras trocam vapor, sobras e cinzas entre si
E se o lixo de uma fábrica fosse a matéria-prima de outra? Imagem gerada por IA.
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A simbiose industrial é o arranjo em que uma indústria aproveita o que sobra de outra. Henning Grann, que escreveu sobre o caso dinamarquês de Kalundborg num livro publicado pela National Academy Press, dos Estados Unidos, define assim: “a process whereby a waste product in one industry is turned into a resource for use in one or more other industries” (um processo em que um resíduo de uma indústria se transforma em recurso para uma ou mais outras indústrias) (Grann, 1997, p. 117-123, tradução nossa). A ideia faz parte da economia circular.

O caso de Kalundborg

Kalundborg é uma cidade industrial da Dinamarca. Pelo relato de Grann, a simbiose de lá “was not planned” (não foi planejada): ela foi crescendo em mais de 20 anos, a partir da usina termelétrica que começou a funcionar em 1959 (Grann, 1997). As trocas, pela mesma fonte:

AnoO que passou a ser trocado
1961água de um lago levada por tubulação até a refinaria
1972gás que sobrava na refinaria, enviado à fábrica de placas de gesso
1976lodo biológico da indústria farmacêutica, levado a fazendas vizinhas
1979cinzas da usina, enviadas a fabricantes de cimento
1981calor que sobrava da usina, usado no aquecimento da cidade
1982vapor da usina, fornecido à indústria farmacêutica e à refinaria
1987água de resfriamento da refinaria, usada pela usina
1989calor da água de resfriamento da usina, usado numa criação de peixes
1990enxofre recuperado na refinaria, vendido a um fabricante de ácido sulfúrico
1991efluente tratado da refinaria, usado pela usina
1992gás de tocha da refinaria, usado como combustível na usina
1993gesso da limpeza dos gases da usina, no lugar de gesso natural importado na fábrica de placas

Fonte da tabela: Grann, H., The Industrial Symbiosis at Kalundborg, Denmark, em The Industrial Green Game, National Academy Press, 1997, p. 117-123, tradução nossa.

Kalundborg hoje

A Plataforma Europeia de Economia Circular descreve a Kalundborg Symbiosis como uma parceria entre 17 empresas públicas e privadas (consulta em 2/11/2026), com “over 20 waste streams” (mais de 20 fluxos de resíduos) entre elas. O princípio, pela mesma página: “a residue from one company becomes a resource in another” (o resíduo de uma empresa vira recurso em outra) (Plataforma Europeia de Economia Circular, tradução nossa). A própria associação diz que as empresas compartilham sobras de energia, água e materiais, com “more than 20 different streams” (mais de 20 fluxos diferentes) (Kalundborg Symbiosis, tradução nossa).

As datas não batem entre as fontes. A plataforma europeia diz que as empresas desenvolvem a simbiose “since 1972” (desde 1972) (Plataforma Europeia de Economia Circular); Grann data a primeira troca de 1961, com a água levada à refinaria (Grann, 1997). As fontes não explicam a diferença.

Resíduo ou insumo?

Na simbiose, o que seria resíduo passa a ser insumo de outra empresa. As formas de reaproveitar resíduos estão em reaproveitamento de resíduos, e as classes e regras dos resíduos da indústria, em resíduos industriais.

Um engano comum

“Uma simbiose industrial é sempre planejada desde o começo.” Não foi o caso de Kalundborg. Pelo relato de Grann, a simbiose de lá não foi planejada e cresceu troca a troca, ao longo de décadas (Grann, 1997).

Resumo: principais perguntas e respostas

O que é simbiose industrial?

É o arranjo em que o resíduo de uma indústria vira recurso para uma ou mais outras indústrias.

Onde fica o exemplo mais conhecido de simbiose industrial?

Em Kalundborg, na Dinamarca, onde as trocas entre indústrias começaram sem plano e cresceram ao longo de décadas.

O que é trocado em Kalundborg?

Água, gás, vapor, calor, cinzas, lodo, enxofre e gesso, entre outros, pela linha do tempo de Grann (1997).

Quantas empresas participam da simbiose de Kalundborg?

17 empresas públicas e privadas, com mais de 20 fluxos de resíduos, pela Plataforma Europeia de Economia Circular.

Fontes

O tema completo, reunido na vitrine Produção e Consumo Sustentáveis →

Impresso de https://123ecos.com.br/docs/simbiose-industrial-quando-o-residuo-de-uma-fabrica-vira-insumo-de-outra/ · Atualizado em 02/11/2026 · 123 Ecos

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