Agricultura Sustentável

Custo de produção agrícola: o que é e como a Conab calcula

Nível de leitura: Ensino Médio

123 Ecos Redação

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Atualizado em: 02/11/2026

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Em poucas palavras

Custo de produção agrícola é a soma dos valores de todos os insumos e serviços usados numa atividade agropecuária, segundo a Conab, que faz esse levantamento desde 1976. A conta inclui gastos em dinheiro, como sementes e mão de obra, e custos sem desembolso, como a depreciação das máquinas e a remuneração da terra própria. No tomate da agricultura familiar em Angelina (SC), em 2025, o custo total estimado foi de R$ 1,93 por quilo.

Custo de produção agrícola: agricultor e técnica somam sementes, adubo, máquina e mão de obra na varanda
Quanto custa cada saca antes de ela sair da lavoura? Imagem gerada por IA.
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O custo de produção agrícola é, nas palavras da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), “a soma dos valores de todos os recursos (insumos e serviços) utilizados no processo produtivo de uma atividade agropecuária”. A Conab, empresa pública federal, levanta custos de produção desde 1976 e segue uma norma própria, a Norma 30.302, Metodologia do Custo de Produção, aprovada em agosto de 2020 (Conab, Norma 30.302).

Os estudos cobrem empreendimentos familiares, empresariais e da sociobiodiversidade, de abacaxi a uva, passando por criações como suínos e gado de leite e por produtos extrativistas como açaí, babaçu, pequi e castanha-do-brasil (Conab, Custos de Produção).

Para que serve

Segundo a norma, o custo de produção pode ser usado, entre outras coisas, para “caracterizar eficiência produtiva”, “conhecer níveis tecnológicos aplicados na agricultura”, “dimensionar renda e rentabilidade” e “subsidiar volume de financiamento”. A Conab diz que o objetivo é “oferecer as condições para estudos de políticas públicas e programas de governo, além de subsidiar discussões técnicas de melhoria do processo produtivo e de comercialização”.

Como a Conab levanta os números

O cálculo não parte de uma fazenda real, mas da unidade produtiva modal: “o processo produtivo mais utilizado no local de levantamento”. Para descrevê-la, a Conab faz um painel, um “encontro técnico em que os entes da cadeia produtiva, por consenso, caracterizam a unidade produtiva modal da região”. Participam produtores rurais, sindicatos, cooperativas, assistência técnica, movimentos sociais, instituições financeiras e de pesquisa, entre outros convidados.

No painel, os participantes indicam os coeficientes técnicos, isto é, quanto de cada insumo se usa por hectare: quilos de semente e de fertilizante, horas de máquina, dias de trabalho. Os preços são os “efetivamente praticados na região” e, segundo a norma, precisam de “levantamentos periódicos”, porque mudam mais que os coeficientes.

O que entra na conta

A norma separa o custo em camadas, que se somam:

CamadaO que é, segundo a Norma 30.302
Custo variávelos custos que “somente ocorrem ou incidem se houver produção”: máquinas, mão de obra, sementes, fertilizantes, agrotóxicos, colheita, transporte, armazenagem, seguro agrícola, impostos e juros do custeio
Custo fixodespesas “independente do volume de produção”: depreciações, exaustão do cultivo (nas culturas permanentes), encargos sociais e seguro do capital fixo
Custo operacionalcusto variável mais a parte do custo fixo ligada à lavoura
Renda de fatores“remuneração esperada sobre o capital fixo e sobre a terra”
Custo totalcusto operacional mais a renda de fatores

Fonte: Conab, Norma 30.302, Capítulo III.

A Conab calcula custos “econômicos”, que incluem os custos explícitos, “o desembolso efetivamente realizado”, e os custos implícitos, para os quais “não ocorrem desembolsos efetivos, como é o caso da depreciação e do custo de oportunidade”. Custo de oportunidade, segundo a norma, é “o valor que um determinado fator poderia receber em algum uso alternativo”: a terra própria, por exemplo, poderia ser arrendada a outra pessoa.

Um exemplo: o tomate em 2025

A série de custos do tomate da Conab traz, para 2025, duas planilhas da agricultura familiar com plantio convencional irrigado, ambas estimadas com preços de setembro de 2025:

ItemAngelina (SC)Grandes Rios (PR)
Produtividade média90.000 kg/ha104.545 kg (a planilha não traz “/ha”)
Custo total por hectareR$ 173.957,55R$ 187.145,39
Custo total por quiloR$ 1,93R$ 1,79
Mão de obra21% do custo total20%
Fertilizantes10%25%
Agrotóxicos7%16%
Sementes e mudas11%12%
Embalagens e utensílios17%1%
Transporte externo11%0% (R$ 0 na planilha)
Custo fixo5%5%
Renda de fatores2%3%

Fonte: Conab, série histórica de custos do tomate, 2007 a 2025, abas “Angelina-SC-2025” e “Grandes Rios-PR-2025”. Percentuais da coluna de participação no custo total, arredondados.

Nas duas planilhas, o custo variável passa de 92% do custo total. A diferença está na composição: em Grandes Rios, fertilizantes e agrotóxicos somam cerca de 41% do custo; em Angelina, embalagens e transporte externo somam cerca de 28%. Em Angelina, o custo por hectare é menor, mas o custo por quilo é maior, porque a produtividade estimada também é menor.

As duas planilhas são de agricultura familiar; mais sobre ela em Agricultura familiar.

Um engano comum

“Custo de produção é só o que o agricultor gasta do bolso.” Pela metodologia da Conab, a conta inclui também custos sem desembolso, como a depreciação de máquinas e instalações e a remuneração esperada do capital e da terra própria. No tomate de Angelina (SC), em 2025, só a renda de fatores foi estimada em R$ 2.940,30 por hectare.

Resumo: principais perguntas e respostas

O que é custo de produção agrícola?

É a soma dos valores de todos os insumos e serviços usados numa atividade agropecuária, segundo a Conab.

Quem calcula o custo de produção no Brasil?

A Conab levanta custos de produção desde 1976, pela Norma 30.302, para produtos agrícolas, criações e produtos da sociobiodiversidade.

Qual a diferença entre custo variável e custo fixo?

O custo variável só existe se houver produção, como sementes e fertilizantes. O custo fixo não depende do volume produzido, como a depreciação das máquinas.

Quanto custa produzir um quilo de tomate?

Nas planilhas da Conab para a agricultura familiar em 2025, o custo total estimado foi de R$ 1,93 por quilo em Angelina (SC) e de R$ 1,79 em Grandes Rios (PR).

Fontes

O tema completo, reunido na vitrine Agropecuária Sustentável →

Impresso de https://123ecos.com.br/docs/custo-de-producao-agricola-o-que-e-e-como-a-conab-calcula/ · Atualizado em 02/11/2026 · 123 Ecos

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