123 Ecos Redação
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Atualizado em: 02/11/2026
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O café no Brasil ocupou 1,95 milhão de hectares de lavouras em produção em 2026, e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), empresa pública que acompanha as safras, estima a colheita em 67,6 milhões de sacas de 60 quilos de café beneficiado, 19,6% a mais que em 2025. A estimativa é do terceiro levantamento da safra, de setembro de 2026, feito com 99% da área já colhida (Conab, setembro de 2026). Café beneficiado é o grão já separado da casca e seco, antes de ser torrado.
Arábica e conilon
O país planta duas espécies, que a Conab analisa em separado por terem “grau de produtividade, característica bienal e regiões produtoras diferentes”:
| Espécie, safra 2026 | Área em produção | Produtividade | Produção | Variação sobre 2025 |
|---|---|---|---|---|
| Arábica | 1,57 milhão de ha | 30,8 sacas/ha | 48,2 milhões de sacas | +34,8% |
| Conilon | 386,6 mil ha | 50,2 sacas/ha | 19,4 milhões de sacas | -6,6% |
| Total | 1,95 milhão de ha | 34,6 sacas/ha | 67,6 milhões de sacas | +19,6% |
Fonte: Conab, 3º levantamento da safra de café 2026, setembro de 2026.
O conilon, que no mercado internacional entra na conta do café robusta, rende mais por hectare. O arábica ocupa a maior parte da área e dá cerca de 71% do café de 2026, pela nossa conta.
Onde se planta
| Estado | Produção 2026 (mil sacas) | O que planta |
|---|---|---|
| Minas Gerais | 35.594,6 | sobretudo arábica |
| Espírito Santo | 16.507,0 | 12,1 milhões de conilon e 4,38 milhões de arábica |
| São Paulo | 6.192,0 | só arábica |
| Bahia | 4.488,2 | 3,3 milhões de conilon e 1,19 milhão de arábica |
| Rondônia | 2.876,3 | conilon |
| Paraná | 724,1 | sobretudo arábica |
| Rio de Janeiro | 423,3 | arábica |
| Brasil | 67.606,0 |
Fonte: Conab, Tabelas 1 a 3 e avaliação por estado, setembro de 2026. Em Minas Gerais, o conilon foi 631,9 mil sacas (Tabela 3).
Minas Gerais colhe cerca de 53% do café do país, pela nossa conta, e Minas, Espírito Santo e São Paulo somam perto de 86%. Em Rondônia, a Conab atribui a alta de 24% à troca de plantas antigas por mudas clonais mais produtivas.
Por que a safra sobe e desce
O cafeeiro tem um ciclo bienal: segundo a Conab, é “a alternância de um ano com grande florada, seguido por outro com florada menos intensa”, o que “permite que a planta se recupere para produzir melhor na safra subsequente”. Uma adversidade do clima pode alterar esse ciclo. O efeito é mais forte no arábica; no conilon, diz o boletim, “o clima costuma exercer maior influência na produtividade”.
2026 é um ano de alta bienalidade. Por isso a Conab compara a safra com a de 2024, também de alta, quando o país produziu 54,2 milhões de sacas: a de 2026 é 24,7% maior. No Espírito Santo, o conilon caiu 14,3% por causa de uma florada irregular provocada por baixas temperaturas, enquanto o arábica do estado subiu 33%.
Para onde vai
Pelos dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) citados pela Conab, o Brasil exportou 24,6 milhões de sacas de café de janeiro a agosto de 2026, 6,6% menos que no mesmo período de 2025, num valor de US$ 8,7 bilhões. Agosto de 2026 foi o maior agosto da série, em peso e em valor: 3,8 milhões de sacas e US$ 1,2 bilhão.
No mundo, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) prevê, em dados de junho de 2026 citados pela Conab, produção recorde de 189,7 milhões de sacas no ciclo 2026/27 e consumo de 179,7 milhões, também recorde. O boletim cita o Brasil entre os polos tradicionais de consumo, ao lado da Europa e dos Estados Unidos.
Um engano comum
“Se a safra caiu, foi o clima.” Nem sempre. No arábica, parte da queda de um ano para o outro é o ciclo natural da planta, que alterna anos de florada forte e fraca (Conab, setembro de 2026).
Resumo: principais perguntas e respostas
A Conab estima 67,6 milhões de sacas de 60 quilos em 2026, sendo 48,2 milhões de arábica e 19,4 milhões de conilon.
São espécies diferentes. O arábica ocupa a maior área, com 30,8 sacas por hectare em 2026; o conilon rende mais, 50,2 sacas por hectare, e se planta sobretudo no Espírito Santo, em Rondônia e na Bahia.
Minas Gerais, com 35,6 milhões de sacas em 2026, cerca de metade do café do país.
É a alternância natural entre um ano de florada forte e outro de florada mais fraca, que faz a produção do arábica subir e descer de um ano para o outro.
Fontes
- Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Acompanhamento da Safra Brasileira de Café, v. 13, safra 2026, n. 3, terceiro levantamento. Setembro de 2026. Inclui dados do MDIC (exportação) e do USDA (mundo, junho de 2026).
O tema completo, reunido na vitrine Agropecuária Sustentável →
Impresso de https://123ecos.com.br/docs/cafe-no-brasil-arabica-e-conilon-onde-se-planta-e-quanto-se-colhe/ · Atualizado em 02/11/2026 · 123 Ecos

