123 Ecos Redação
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Atualizado em: 31/10/2026
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Nanomateriais são materiais formados por partículas muito pequenas, em que uma parte grande das partículas tem pelo menos uma medida entre 1 e 100 nanômetros. Um nanômetro é a bilionésima parte de um metro; um fio de cabelo humano tem de 80 mil a 100 mil nanômetros de largura (NNI, governo dos EUA, página atualizada em 27/6/2025).
A definição europeia
A definição mais usada como referência é a da Recomendação da Comissão Europeia de 10/6/2022 (2022/C 229/01), que atualizou a de 2011 (Jornal Oficial da UE, 14/6/2022). Por ela, nanomaterial é um material formado por partículas sólidas, soltas ou presas em agregados e aglomerados (grupos de partículas unidas), em que 50% ou mais das partículas, contadas por número, têm uma ou mais medidas externas entre 1 e 100 nanômetros. O mesmo texto exclui os materiais com superfície específica (a área da superfície por volume de material) menor que 6 m² por cm³.
Duas coisas o leitor precisa saber sobre essa definição:
- É recomendação, não regulamento. Ela não cria obrigação direta; orienta as normas de cada setor.
- A obrigação vem das regras de cada setor. Na regra europeia de produtos químicos, desde 1/1/2020, quem fabrica ou importa mais de uma tonelada por ano de uma substância tem de informar as formas nano dela no registro (Regulamento 2018/1881, CIA, sem ano, consultado em 31/10/2026).
No Brasil, na consulta de 31/10/2026, não achei lei nem definição oficial geral de nanomaterial. A situação do projeto de lei no Senado está em nanotecnologia.
Por que o comportamento muda
Num nanomaterial, a parte do material que fica na superfície é muito maior em relação ao volume do que num pedaço grande do mesmo material. Com mais superfície exposta, o material pode ficar mais reativo, e as reações químicas podem ficar muito mais rápidas. Nessa escala, propriedades como a temperatura de fusão, a fluorescência e a condução de eletricidade mudam com o tamanho da partícula (NNI, página atualizada em 27/6/2025).
Exemplos citados pela Comissão Europeia
Na revisão de 2012, a Comissão Europeia separou os nanomateriais em dois grupos (Comissão Europeia, 3/10/2012):
- De uso antigo e em grande volume:
- – o negro de fumo, usado como carga em pneus, borracha e plásticos;
- – a sílica amorfa sintética, usada em alimentos, tintas e construção.
- Os que chamam mais a atenção do público:
- – o dióxido de titânio em escala nano, filtro ultravioleta em protetores solares e presente em tintas e superfícies que se limpam sozinhas;
- – o óxido de zinco em escala nano;
- – os fulerenos e os nanotubos de carbono, estes usados sobretudo para dar condução elétrica a plásticos;
- – a nanoprata, que pode ser usada como desinfetante e contra odor em tecidos, com uso ainda limitado, segundo o texto.
Há também partículas feitas de gordura, as nanopartículas lipídicas, usadas para levar remédio dentro do corpo; um exemplo aprovado pela agência dos EUA está em nanomedicina.
O que se sabe sobre o risco
A mesma revisão concluiu que os nanomateriais se parecem com os produtos químicos comuns: alguns podem ser tóxicos e outros não. O risco depende do material e do uso, e o comitê científico europeu de riscos à saúde recomendou avaliar caso a caso (Comissão Europeia, 3/10/2012). Por isso, a frase “nanomaterial faz mal” está errada, e a frase “nanomaterial é seguro” também. O que acontece com eles no lixo e no esgoto está em nanorresíduos.
Você sabia?
O ouro em escala nano pode parecer vermelho ou roxo, conforme o tamanho da partícula, e não dourado (NNI, página atualizada em 27/6/2025).
Termos vizinhos
Resumo: principais perguntas e respostas
Pela recomendação europeia de 2022, são materiais em que 50% ou mais das partículas, contadas por número, têm pelo menos uma medida entre 1 e 100 nanômetros.
Não. É uma recomendação da Comissão Europeia, que orienta as normas de cada setor. A obrigação vem dessas normas, como a regra de produtos químicos.
O negro de fumo dos pneus, a sílica amorfa, o dióxido de titânio e o óxido de zinco dos protetores solares, os nanotubos de carbono e a nanoprata.
Porque tem muito mais superfície exposta em relação ao volume, o que pode deixá-lo mais reativo, e porque propriedades como a cor e a fusão mudam com o tamanho.
Depende de cada um. Para a Comissão Europeia, alguns podem ser tóxicos e outros não, e o risco se avalia caso a caso.
Fontes
- União Europeia. Recomendação da Comissão de 10 de junho de 2022 relativa à definição de nanomaterial (2022/C 229/01). Jornal Oficial, 14/6/2022.
- Comissão Europeia. Nanomaterials: Commission proposes case by case approach to assessment (MEMO/12/732). 3/10/2012.
- Chemical Industries Association (Reino Unido). Nanomaterials. Sem ano, consultado em 31/10/2026.
- National Nanotechnology Initiative (EUA). Just How Small Is “Nano”? Atualizada em 27/6/2025.
- National Nanotechnology Initiative (EUA). What Is So Special about “Nano”? Atualizada em 27/6/2025.
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