Pecuária Sustentável

Sobrepastoreio: o que é e o pasto degradado no mundo

Nível de leitura: Ensino Médio

123 Ecos Redação

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Atualizado em: 04/11/2026

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Em poucas palavras

Sobrepastoreio é pôr no pasto mais animais, ou por mais tempo, do que a vegetação aguenta. Pelo relatório da UNCCD de 2024, até 50% das pastagens naturais do mundo estão degradadas, quase o dobro das estimativas anteriores, e o pastoreio excessivo está entre as causas. Na Mongólia, as estimativas de dano vão de cerca de 70% a no máximo 10%, conforme o que se mede.

Nesta página

O sobrepastoreio é o uso de um pasto por mais animais, ou por mais tempo, do que a vegetação consegue sustentar. O capim é comido antes de rebrotar, o solo fica descoberto e a terra perde a capacidade de alimentar o rebanho. Pode acontecer em pastos plantados e em pastagens naturais, como estepes, savanas e campos de montanha. A lotação média do Brasil, o retrato do MapBiomas e a lei que trata da recuperação de pastos estão em Sobrepastoreio no Brasil.

Quanto pasto está degradado no mundo

O relatório da UNCCD, a convenção da ONU de combate à desertificação, publicado em 21 de maio de 2024, estima que até 50% das pastagens naturais do mundo estão degradadas. Segundo a reportagem da Down To Earth sobre o relatório, o número é “quase o dobro” das estimativas anteriores, que iam de 20% a 35%. O relatório também diz que as avaliações recentes podem estar subestimando a perda real (Down To Earth, 21/5/2024, sobre o Global Land Outlook da UNCCD).

Quanto da terra do planeta é pastagem natural, quem são os pastores e quantas pessoas dependem dessas terras está em Pecuária extensiva.

Por que acontece

CausaComo leva ao sobrepastoreio
Animais demais para a áreao rebanho come mais do que o pasto produz
Tempo demais no mesmo lugaro capim não tem descanso para rebrotar
Perda de área de pastoa terra vira lavoura ou cidade, e o rebanho se concentra no que sobra
Políticas que incentivam a superexploraçãoo uso cresce sem limite ligado à capacidade da terra

Tabela: síntese do redator. As causas da primeira coluna estão na lista do relatório da UNCCD, que cita a conversão de pastos em lavoura, o crescimento das cidades, o “pastoreio excessivo”, o abandono das áreas pelos pastores e as políticas que incentivam a superexploração (Down To Earth, 21/5/2024).

Os efeitos

Lista: síntese do redator, com a fonte do primeiro item. Os mesmos efeitos, com a descrição da Embrapa, estão em Sobrepastoreio no Brasil.

Um caso fora do Brasil: a Mongólia e a disputa dos números

Na Mongólia, as pastagens ocupam 82,7% do território, pelo relatório nacional do governo sobre o uso das pastagens (2020-2025), e mais de 20 milhões de animais morreram nos dzud, invernos extremos, de 2000-2002 e 2009-2010 (governo da Mongólia, relatório nacional de pastagens). O mesmo relatório diz que o aumento do rebanho, o pastoreio sem regras e a perda de resiliência dos ecossistemas contribuem para a degradação.

O rebanho bateu recorde: 71,1 milhões de animais no fim de 2022, o maior número desde o início do censo pecuário, em 1918, segundo o Escritório Nacional de Estatística. Pelo Ministério do Meio Ambiente e Turismo, cerca de 77% do território foi afetado por desertificação e degradação da terra, e o sobrepastoreio é um dos principais fatores que a intensificam (Bangkok Post/Xinhua, 10/5/2023).

Um estudo da Universidade Estadual do Colorado, publicado em 2018 na revista Ecological Applications, chegou a outro número. A estimativa corrente era de que cerca de 70% das pastagens do país estavam danificadas pelo gado e pelo uso sem regras. O estudo, feito em 36 distritos de 10 províncias, encontrou dano irreversível do gado em no máximo 10% das pastagens; a maior parte estava “pouco ou moderadamente degradada”. Os pesquisadores também ligaram o uso pelo gado aos impactos nas pastagens de inverno da estepe, que mudam mais rápido sob uso alto e constante (Universidade Estadual do Colorado, 7/3/2018).

Na leitura do redator, as contas medem coisas diferentes: a de 77% soma desertificação e degradação em geral; a de 70% fala de dano; a de 10% fala só de dano que não se recupera. O estudo também faz um alerta: áreas importantes do país “podem estar chegando a um ponto de virada de dano irreversível”. A autora principal, Chantsaa Jamsranjav, lembra que, ao contrário do clima, o manejo do pastoreio pode ser mudado por regras e políticas (Universidade Estadual do Colorado, 2018).

Você sabia?

Na Mongólia, os animais de criação são cerca de 20 vezes mais numerosos que as pessoas, segundo o comunicado da Universidade Estadual do Colorado (2018).

O que evita o sobrepastoreio

  • Ajustar o rebanho ao que o pasto produz em cada época, assunto de Manejo de pastagens.
  • Dar descanso ao pasto, dividindo a área e alternando o uso, como no Pastoreio rotacionado.
  • Mudar regras e políticas de uso, que a autora do estudo da Mongólia aponta como a parte que pode ser mudada, ao contrário do clima.
  • Recuperar o pasto já degradado, assunto de Degradação de pastagens.

Lista: síntese do redator; só o terceiro item vem de uma fonte desta página (o estudo da Mongólia).

O que foi medido e o que não foi

  • Medido: a parte das pastagens naturais do mundo que está degradada (UNCCD, 2024, por estimativa) e, na Mongólia, o tamanho do rebanho e a área afetada.
  • Não medido nesta página: quanto da degradação mundial vem só do sobrepastoreio. O relatório lista várias causas juntas, e as fontes consultadas não separam a parte de cada uma.

Termos vizinhos

  • Sobrepastoreio no Brasil (link).
  • Pecuária extensiva (link).
  • Degradação de pastagens (link).
  • desertificação do solo (link).
  • Pastoreio rotacionado (link).

Resumo: principais perguntas e respostas

O que é sobrepastoreio?

É o uso de um pasto por mais animais, ou por mais tempo, do que a vegetação consegue sustentar.

Quanto das pastagens do mundo está degradado?

Pelo relatório da UNCCD de 2024, até 50%, quase o dobro das estimativas anteriores, de 20% a 35%.

O sobrepastoreio é a única causa da degradação?

Não. A UNCCD cita também a conversão de pastos em lavoura, o crescimento das cidades, o abandono das áreas e políticas que incentivam a superexploração.

Qual é o caso da Mongólia?

O rebanho chegou a 71,1 milhões de animais em 2022. A estimativa corrente era de cerca de 70% das pastagens danificadas, mas um estudo de 2018 achou dano irreversível em no máximo 10%.

Como evitar o sobrepastoreio?

Ajustando o rebanho ao pasto, dando descanso à área e mudando as regras de uso.

Fontes

O tema completo, reunido na vitrine Agropecuária Sustentável →

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