123 Ecos Redação
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Atualizado em: 04/11/2026
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O sobrepastoreio é o uso de um pasto por mais animais, ou por mais tempo, do que a vegetação consegue sustentar. O capim é comido antes de rebrotar, o solo fica descoberto e a terra perde a capacidade de alimentar o rebanho. Pode acontecer em pastos plantados e em pastagens naturais, como estepes, savanas e campos de montanha. A lotação média do Brasil, o retrato do MapBiomas e a lei que trata da recuperação de pastos estão em Sobrepastoreio no Brasil.
Quanto pasto está degradado no mundo
O relatório da UNCCD, a convenção da ONU de combate à desertificação, publicado em 21 de maio de 2024, estima que até 50% das pastagens naturais do mundo estão degradadas. Segundo a reportagem da Down To Earth sobre o relatório, o número é “quase o dobro” das estimativas anteriores, que iam de 20% a 35%. O relatório também diz que as avaliações recentes podem estar subestimando a perda real (Down To Earth, 21/5/2024, sobre o Global Land Outlook da UNCCD).
Quanto da terra do planeta é pastagem natural, quem são os pastores e quantas pessoas dependem dessas terras está em Pecuária extensiva.
Por que acontece
| Causa | Como leva ao sobrepastoreio |
|---|---|
| Animais demais para a área | o rebanho come mais do que o pasto produz |
| Tempo demais no mesmo lugar | o capim não tem descanso para rebrotar |
| Perda de área de pasto | a terra vira lavoura ou cidade, e o rebanho se concentra no que sobra |
| Políticas que incentivam a superexploração | o uso cresce sem limite ligado à capacidade da terra |
Tabela: síntese do redator. As causas da primeira coluna estão na lista do relatório da UNCCD, que cita a conversão de pastos em lavoura, o crescimento das cidades, o “pastoreio excessivo”, o abandono das áreas pelos pastores e as políticas que incentivam a superexploração (Down To Earth, 21/5/2024).
Os efeitos
- No pasto: o capim perde vigor e plantas daninhas ocupam o espaço, o que a Embrapa chama de degradação “agrícola” (Embrapa, Causas da degradação de pastagens).
- No solo: sem cobertura, ele compacta com o pisoteio e sofre erosão. Veja Compactação do solo e Erosão do solo.
- Na terra seca: nas regiões áridas, a degradação do pasto se soma à desertificação do solo.
- Na produção: a área passa a sustentar menos animais.
Lista: síntese do redator, com a fonte do primeiro item. Os mesmos efeitos, com a descrição da Embrapa, estão em Sobrepastoreio no Brasil.
Um caso fora do Brasil: a Mongólia e a disputa dos números
Na Mongólia, as pastagens ocupam 82,7% do território, pelo relatório nacional do governo sobre o uso das pastagens (2020-2025), e mais de 20 milhões de animais morreram nos dzud, invernos extremos, de 2000-2002 e 2009-2010 (governo da Mongólia, relatório nacional de pastagens). O mesmo relatório diz que o aumento do rebanho, o pastoreio sem regras e a perda de resiliência dos ecossistemas contribuem para a degradação.
O rebanho bateu recorde: 71,1 milhões de animais no fim de 2022, o maior número desde o início do censo pecuário, em 1918, segundo o Escritório Nacional de Estatística. Pelo Ministério do Meio Ambiente e Turismo, cerca de 77% do território foi afetado por desertificação e degradação da terra, e o sobrepastoreio é um dos principais fatores que a intensificam (Bangkok Post/Xinhua, 10/5/2023).
Um estudo da Universidade Estadual do Colorado, publicado em 2018 na revista Ecological Applications, chegou a outro número. A estimativa corrente era de que cerca de 70% das pastagens do país estavam danificadas pelo gado e pelo uso sem regras. O estudo, feito em 36 distritos de 10 províncias, encontrou dano irreversível do gado em no máximo 10% das pastagens; a maior parte estava “pouco ou moderadamente degradada”. Os pesquisadores também ligaram o uso pelo gado aos impactos nas pastagens de inverno da estepe, que mudam mais rápido sob uso alto e constante (Universidade Estadual do Colorado, 7/3/2018).
Na leitura do redator, as contas medem coisas diferentes: a de 77% soma desertificação e degradação em geral; a de 70% fala de dano; a de 10% fala só de dano que não se recupera. O estudo também faz um alerta: áreas importantes do país “podem estar chegando a um ponto de virada de dano irreversível”. A autora principal, Chantsaa Jamsranjav, lembra que, ao contrário do clima, o manejo do pastoreio pode ser mudado por regras e políticas (Universidade Estadual do Colorado, 2018).
Você sabia?
Na Mongólia, os animais de criação são cerca de 20 vezes mais numerosos que as pessoas, segundo o comunicado da Universidade Estadual do Colorado (2018).
O que evita o sobrepastoreio
- Ajustar o rebanho ao que o pasto produz em cada época, assunto de Manejo de pastagens.
- Dar descanso ao pasto, dividindo a área e alternando o uso, como no Pastoreio rotacionado.
- Mudar regras e políticas de uso, que a autora do estudo da Mongólia aponta como a parte que pode ser mudada, ao contrário do clima.
- Recuperar o pasto já degradado, assunto de Degradação de pastagens.
Lista: síntese do redator; só o terceiro item vem de uma fonte desta página (o estudo da Mongólia).
O que foi medido e o que não foi
- Medido: a parte das pastagens naturais do mundo que está degradada (UNCCD, 2024, por estimativa) e, na Mongólia, o tamanho do rebanho e a área afetada.
- Não medido nesta página: quanto da degradação mundial vem só do sobrepastoreio. O relatório lista várias causas juntas, e as fontes consultadas não separam a parte de cada uma.
Termos vizinhos
- Sobrepastoreio no Brasil (link).
- Pecuária extensiva (link).
- Degradação de pastagens (link).
- desertificação do solo (link).
- Pastoreio rotacionado (link).
Resumo: principais perguntas e respostas
É o uso de um pasto por mais animais, ou por mais tempo, do que a vegetação consegue sustentar.
Pelo relatório da UNCCD de 2024, até 50%, quase o dobro das estimativas anteriores, de 20% a 35%.
Não. A UNCCD cita também a conversão de pastos em lavoura, o crescimento das cidades, o abandono das áreas e políticas que incentivam a superexploração.
O rebanho chegou a 71,1 milhões de animais em 2022. A estimativa corrente era de cerca de 70% das pastagens danificadas, mas um estudo de 2018 achou dano irreversível em no máximo 10%.
Ajustando o rebanho ao pasto, dando descanso à área e mudando as regras de uso.
Fontes
- Down To Earth. Rangelands are facing a ‘silent demise’, suffering losses as high as 50%. 21/5/2024 (sobre o Global Land Outlook Thematic Report on Rangelands and Pastoralists, da UNCCD).
- Governo da Mongólia. Second national report on assessing the impacts of rangeland use through photo monitoring. 2020-2025.
- Bangkok Post/Xinhua. Why large parts of Mongolia are affected by desertification. 10/5/2023.
- Embrapa. Dias-Filho, M. B. e outros. Causas da degradação de pastagens e estratégias de recuperação (PDF).
- Universidade Estadual do Colorado. Estimates overstated for Mongolian rangelands damaged by livestock. EurekAlert!, 7/3/2018 (estudo: Jamsranjav e outros, Ecological Applications, DOI 10.1002/eap.1684).
O tema completo, reunido na vitrine Agropecuária Sustentável →
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