Agricultura Sustentável

Crédito fiscal para fertilizantes: o que muda com a Lei Complementar 235

Nível de leitura: Ensino Médio

123 Ecos Redação

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Atualizado em: 04/11/2026

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Em poucas palavras

A Lei Complementar nº 235, sancionada em agosto de 2026, autoriza até R$ 5 bilhões em créditos fiscais, de 2027 a 2031, para projetos de produção de fertilizantes, matérias-primas, bioinsumos e remineralizadores no Brasil. Segundo o Ministério da Agricultura, o crédito pode chegar a 20% dos gastos com produção no país e vai depender de critérios socioambientais. Em 2025, o Brasil importou 45,5 milhões de toneladas de fertilizantes, o maior volume já registrado.

Crédito fiscal para fertilizantes: armazém com montes de adubo em grânulos e navio graneleiro descarregando no porto
Quanto da comida no prato depende de adubo vindo de navio? Imagem gerada por IA.
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O crédito fiscal para fertilizantes é o incentivo criado pela Lei Complementar nº 235, sancionada em 27 de agosto de 2026, para estimular a produção de fertilizantes no Brasil. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a lei “estabelece incentivos para projetos de produção de fertilizantes e matérias-primas no país, além de bioinsumos, biofertilizantes e remineralizadores”, com o objetivo de “contribuir para a ampliação da oferta desses produtos no mercado brasileiro e para a estabilidade de preços” (Mapa, 28/8/2026).

Quanto e até quando

Regra, segundo o MapaO que diz
Total autorizadoaté R$ 5 bilhões em créditos fiscais
Períodode 2027 a 2031
Limite anualR$ 1 bilhão por ano; o que não for usado num ano pode ser usado depois, até o fim do programa
Ampliação possívelo Poder Executivo pode aumentar o limite anual em até R$ 1 bilhão, observada a legislação orçamentária e fiscal
Tamanho do créditoaté 20% dos gastos com atividades de produção no território nacional, conforme regulamentação

Fonte: Mapa, notícia de 28/8/2026 sobre a Lei Complementar nº 235/2026.

Como os projetos entram

Segundo o Mapa, os projetos precisarão ser habilitados pelo Poder Executivo e participar de um “procedimento concorrencial”, com regras que ainda serão definidas em regulamentação. O percentual do crédito estará ligado ao “cumprimento de critérios de sustentabilidade socioambiental, especialmente à adoção de tecnologias destinadas à mitigação ou neutralização das emissões de gases causadores do efeito estufa”. Os valores também deverão observar as metas fiscais e os objetivos do Plano Nacional de Fertilizantes, explicado em Controle no uso de fertilizantes químicos.

Que produtos entram

A notícia do Mapa lista, entre os produtos contemplados:

  • fertilizantes: ureia, nitrato de amônio, fosfato monoamônico (MAP), fosfato diamônico (DAP), superfosfato simples e triplo, termofosfato, fosfato natural reativo, fosfato acidulado sulfúrico, cloreto de potássio e silicato de potássio;
  • matérias-primas: amônia, enxofre, rocha fosfática industrial, ácido fosfórico e ácido sulfúrico;
  • bioinsumos, biofertilizantes e remineralizadores.

A regulamentação poderá incluir outros produtos.

A lei também afasta, de 2027 a 2031, o Adicional ao Frete para a Renovação da Marinha Mercante (AFRMM), cobrado sobre o frete, nas mercadorias destinadas à produção desses insumos nos projetos aprovados. Essa renúncia está limitada a R$ 200 milhões por ano e a R$ 1 bilhão no período, segundo o Mapa.

Por que o governo diz que o tema é estratégico

O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, afirmou que “ampliar a produção de fertilizantes no Brasil é uma forma de reduzir vulnerabilidades e dar mais previsibilidade ao produtor”. Segundo o Mapa, a origem estrangeira da maior parte dos fertilizantes usados no país deixa a agricultura “mais exposta a mudanças no mercado internacional, conflitos geopolíticos, sanções e eventuais problemas logísticos”.

Os números de importação citados pelo Mapa:

IndicadorValor
Importação de fertilizantes em 202545,5 milhões de toneladas, “maior volume já registrado”
Nitrogenados e fosfatados, jan. a maio de 20257,69 milhões de toneladas
Nitrogenados e fosfatados, jan. a maio de 20267,02 milhões de toneladas (−8,7%)
Preço médio de internalização, jan. a maio de 2026+14,4%
Valor total pago nessas importações, jan. a maio de 2026+4,4%

Fonte: Mapa, notícia de 28/8/2026.

Ou seja, de janeiro a maio de 2026 o país comprou menos nitrogenados e fosfatados do exterior, mas pagou mais por eles, segundo o Mapa.

Um engano comum

“A lei dá R$ 5 bilhões às fábricas de fertilizantes.” Pela notícia do Mapa, os R$ 5 bilhões são o limite de créditos fiscais autorizados de 2027 a 2031, não um pagamento direto. O acesso depende de habilitação, de procedimento concorrencial e de regulamentação, e o tamanho do crédito vai depender de critérios socioambientais.

Resumo: principais perguntas e respostas

O que é a Lei Complementar 235/2026?

É a lei, sancionada em agosto de 2026, que cria incentivos fiscais para a produção de fertilizantes, matérias-primas, bioinsumos e remineralizadores no Brasil, segundo o Mapa.

Quanto vale o crédito fiscal para fertilizantes?

Até R$ 5 bilhões de 2027 a 2031, com limite de R$ 1 bilhão por ano. Cada projeto pode ter crédito de até 20% dos gastos com produção no país.

Bioinsumos e remineralizadores entram no incentivo?

Sim. A notícia do Mapa inclui bioinsumos, biofertilizantes e remineralizadores entre os produtos contemplados.

Quanto fertilizante o Brasil importa?

Em 2025, 45,5 milhões de toneladas, o maior volume já registrado, segundo o Mapa.

Fontes

O tema completo, reunido na vitrine Agropecuária Sustentável →

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