O movimento Lixo Zero (Zero Waste, em inglês) propõe reduzir ao máximo o que vai para aterros, lixões e incineradores. A ideia é que quase tudo o que descartamos pode ser evitado, reaproveitado, reciclado ou compostado, se produtos, hábitos e sistemas de coleta forem pensados para isso.
O movimento atua em três níveis: pessoas e famílias, empresas e cidades.
Definição #
A Aliança Internacional Lixo Zero (ZWIA, na sigla em inglês), que reúne organizações de vários países, define Lixo Zero como a conservação de todos os recursos por meio da produção, do consumo, da reutilização e da recuperação responsáveis de produtos, embalagens e materiais, sem queima e sem descargas no solo, na água ou no ar que ameacem o meio ambiente ou a saúde humana.
Na prática, a meta não é chegar a exatamente zero, e sim desviar dos aterros e da incineração a maior parte possível dos resíduos.
Por que o tema importa #
Segundo o Global Waste Management Outlook 2024, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), o mundo gerou cerca de 2,3 bilhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos em 2023. A projeção é de 3,8 bilhões de toneladas em 2050, se nada mudar.
No caso do plástico, a OCDE estima que apenas 9% dos resíduos são reciclados no mundo.
Resíduo e rejeito #
A Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010) faz uma distinção que está no centro da proposta Lixo Zero:
- Resíduo é o material descartado que ainda pode ser reaproveitado, reciclado ou compostado.
- Rejeito é o que sobra depois de esgotadas todas as possibilidades de tratamento e recuperação. Só o rejeito deve ir para o aterro.
A mesma lei define a ordem de prioridade: não gerar, reduzir, reutilizar, reciclar, tratar e, só então, dispor os rejeitos de forma ambientalmente adequada. Veja Política Nacional de Resíduos Sólidos e Resíduos sólidos.
Os 5 Rs #
A francesa radicada nos Estados Unidos Bea Johnson, autora do livro Zero Waste Home (2013), ajudou a popularizar o Lixo Zero doméstico. Ela propõe cinco passos, nesta ordem:
- Recusar o que não é necessário, como brindes e embalagens descartáveis.
- Reduzir o que é necessário.
- Reutilizar o que se tem e preferir produtos reutilizáveis.
- Reciclar o que não puder ser recusado, reduzido ou reutilizado.
- Compostar os restos orgânicos (rot, em inglês).
Veja também os 8 Rs da sustentabilidade e Compostagem.
Lixo Zero em empresas e cidades #
Certificação no Brasil #
O Instituto Lixo Zero Brasil, ligado à ZWIA, certifica empresas, escolas e eventos. Para receber a certificação, o local precisa dar destino correto a pelo menos 90% dos seus resíduos, sem enviá-los a aterros ou incineradores.
Kamikatsu, no Japão #
A pequena cidade de Kamikatsu, com menos de 1.500 habitantes, foi a primeira do Japão a se declarar Lixo Zero, em 2003. Os moradores separam os resíduos em 45 categorias. Em 2021, a cidade reciclou 80% do que descartou, contra uma média nacional de cerca de 20%.
Políticas públicas #
Coleta seletiva, compostagem de restos de alimentos, proibição de sacolas e de outros plásticos descartáveis e logística reversa estão entre as medidas mais usadas por cidades que adotam metas de Lixo Zero. Veja Coleta seletiva.
Lixo Zero no dia a dia #
Algumas práticas comuns entre os adeptos:
- levar sacolas, garrafas e potes reutilizáveis;
- comprar a granel e evitar produtos com muita embalagem;
- consertar e doar em vez de descartar;
- separar recicláveis e compostar os orgânicos;
- evitar o desperdício de alimentos.
Veja dicas em Adotando a filosofia Lixo Zero no dia a dia.
Resumo: principais perguntas e respostas #
É um movimento que propõe reduzir ao máximo o que vai para aterros e incineradores, por meio de produção, consumo, reutilização e recuperação responsáveis dos materiais. A definição é da Aliança Internacional Lixo Zero (ZWIA).
Resíduo ainda pode ser reaproveitado, reciclado ou compostado. Rejeito é o que sobra depois de esgotadas todas as possibilidades de recuperação. Pela Lei 12.305/2010, só o rejeito deve ir para o aterro.
Recusar, reduzir, reutilizar, reciclar e compostar, nessa ordem. A sequência foi popularizada por Bea Johnson no livro Zero Waste Home (2013).
Fontes #
- Zero Waste International Alliance. Zero Waste Definition.
- PNUMA. Global Waste Management Outlook 2024. PNUMA. Números também em Waste Management World.
- OCDE. Global Plastics Outlook, 2022. OCDE.
- Brasil. Lei 12.305/2010, arts. 3º e 9º. Planalto.
- Johnson, B. Zero Waste Home. Scribner, 2013.
- Instituto Lixo Zero Brasil. Certificação Lixo Zero. Economic News Brasil.
- Nippon.com. Kamikatsu: Leading the World in Waste Reduction.

