Devian Zutter
Produtor de vídeos e ambientalista com larga experiência internacional em produções voltadas para proteção ambiental
Atualizado em: 04/11/2026
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A praia de Atafona fica em São João da Barra, no norte do estado do Rio de Janeiro, na margem sul da foz do rio Paraíba do Sul. É um dos lugares do litoral brasileiro onde a erosão costeira foi mais medida: entre 1954 e 2018, a linha da praia recuou até 345 metros num dos pontos estudados pela Universidade Federal Fluminense (UFF), e quadras inteiras do distrito foram tomadas pelo mar.
| Ficha | Dados |
|---|---|
| Estado e município | Rio de Janeiro; São João da Barra, distrito de Atafona |
| Onde fica | margem sul do delta do rio Paraíba do Sul |
| Ambientes vizinhos | foz do rio, dunas e restingas, a praia de Grussaí ao sul |
| Área protegida | APA das Dunas e Restingas, municipal (Decreto 228, de 15/12/2022, segundo o CNUC); pelo estudo técnico que a propôs, abrange a faixa de areia de Atafona a Grussaí |
| Maior recuo medido (1954 a 2018) | 345 m, no ponto mais próximo da foz (UFF, 2024) |
| Taxa de recuo (1954 a 2018) | até 5,39 m por ano (UFF, 2024) |
| Principal ameaça | erosão costeira |
O ambiente
Atafona é uma praia de areia no delta do Paraíba do Sul, o trecho em que o rio se divide e deposita sedimentos antes de chegar ao mar. A areia de uma praia não fica parada: as ondas e as correntes a levam ao longo da costa. Os estudos citados pela UFF indicam que, nesse trecho, o transporte predominante é para o sul (Machado e colaboradores, 2024).
Por isso, a mesma costa tem dois comportamentos lado a lado. Em Atafona, junto à foz, a praia recua. Em Grussaí, poucos quilômetros ao sul, ela avança: lá a areia se acumulou a até 3,43 metros por ano entre 1954 e 2018, segundo o mesmo estudo. Atrás da praia ficam dunas e restingas, a vegetação típica das areias do litoral (veja Restingas e Praias arenosas).
O que ameaça esta praia
O recuo em números. A equipe da UFF comparou fotografias aéreas e imagens de 1954 a 2018 e mediu o recuo em perfis ao longo da praia. Junto à foz, a linha da costa recuou 345 metros em 64 anos. Nos dois perfis seguintes, recuou 301 e 248 metros. As taxas chegaram a 5,39 metros por ano, e os autores resumem a situação como erosão “extrema e severa” em Atafona (Machado e colaboradores, 2024).
O que o mar levou. No mapeamento de 1976 a 2019, o mesmo estudo contou 12 quadras urbanas atingidas: 5 perdidas por completo e 7 em parte. O artigo também cita levantamentos anteriores, com outros recortes: 183 imóveis perdidos entre 1975 e 2004 (Azevedo, 2004) e mais de 40 imóveis e 7 quadras entre 2005 e 2016 (Mello e colaboradores, 2018). Os números não se somam, porque cada um cobre um período e usa um método.
Por que acontece: duas explicações. A explicação mais repetida é que o rio Paraíba do Sul perdeu água e, com ela, a areia que alimentava a praia. Segundo um estudo de Rocha e colaboradores (2022), citado no artigo da UFF, a vazão no baixo curso do rio caiu cerca de 35% entre 1934 e 2015. O artigo acrescenta que o volume de sedimentos que segue para o sul “aparentemente não é suficiente” para conter a erosão. Mas os autores apontam como causa “mais provável” outra coisa: a forma da foz faz as ondas que chegam de nordeste convergirem sobre Atafona e concentrarem a sua energia ali (Bastos, 1997; Rocha e colaboradores, 2018). As duas explicações não se excluem. Os autores admitem que as mudanças na bacia do rio podem influenciar a erosão, mas não as tratam como causa única.
O que se faz agora. Em 2015, o Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias entregou à prefeitura um anteprojeto com um campo de espigões e reposição de areia, que não foi executado. Em julho de 2026, a Prefeitura de São João da Barra deu a ordem de serviço para um novo estudo de viabilidade técnica, econômica e ambiental, com prazo de 18 meses. Segundo a prefeitura, ainda não há preço nem data para uma obra. Até 2026, a Defesa Civil e a Assistência Social removeram 53 famílias em risco (Neo Mondo).
A erosão no restante do litoral brasileiro é tratada em Impactos ambientais no litoral brasileiro, e as formas de proteger a costa, em Proteção costeira.
Proteção
O Cadastro Nacional de Unidades de Conservação (CNUC) registra a Área de Proteção Ambiental (APA) das Dunas e Restingas, uma unidade de conservação municipal criada pelo Decreto 228, de 15 de dezembro de 2022. O texto do decreto não foi localizado. O estudo técnico da prefeitura que propôs a APA descreve uma área de 415,96 hectares, entre os distritos de Atafona e Grussaí, com o delta do Paraíba do Sul ao norte e o oceano a leste (Prefeitura de São João da Barra, 2022). APA é uma unidade de uso sustentável: permite ocupação, com regras (veja Área de Proteção Ambiental).
Resumo: principais perguntas e respostas
Em São João da Barra, no norte do Rio de Janeiro, na margem sul da foz do rio Paraíba do Sul.
Até 345 metros entre 1954 e 2018, no ponto mais próximo da foz, segundo estudo da UFF publicado em 2024. A taxa chegou a 5,39 metros por ano.
O estudo da UFF aponta como causa mais provável a concentração da energia das ondas junto à foz. A menor vazão do rio Paraíba do Sul, que caiu cerca de 35% no baixo curso entre 1934 e 2015 segundo estudo citado pela UFF, também aparece como fator que pode contribuir.
Porque, nesse trecho, a areia é levada principalmente para o sul. Grussaí recebe sedimentos e avançou até 3,43 metros por ano entre 1954 e 2018.
O CNUC registra ali a APA das Dunas e Restingas, unidade de conservação municipal criada em 2022. Pelo estudo técnico que a propôs, ela abrange a faixa de areia de Atafona a Grussaí.
Fontes
- MACHADO, B. A.; ROCHA, T. B.; FERNANDEZ, G. B.; OLIVEIRA FILHO, S. R. Dinâmica da linha de costa no flanco meridional do delta do rio Paraíba do Sul entre 1954-2018: considerações sobre o fenômeno da erosão costeira em Atafona (RJ). Revista Brasileira de Geomorfologia, v. 25, n. 1, 2024. Consultado em 2 de novembro de 2026.
- Ministério do Meio Ambiente. Cadastro Nacional de Unidades de Conservação, dados abertos, edição de julho de 2026.
- Prefeitura de São João da Barra. Proposta para criação da Área de Proteção Ambiental das Dunas e Restingas: estudo técnico básico, 2022.
- Neo Mondo. Atafona perde 8 metros de praia por ano, e a obra que devia frear o mar ainda não existe. Consultado em 2 de novembro de 2026.
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