Praias do Sudeste do Brasil

Praia de Copacabana: a praia alargada nos anos 1970 (RJ)

Nível de leitura: Ensino Médio

Devian Zutter

Produtor de vídeos e ambientalista com larga experiência internacional em produções voltadas para proteção ambiental

Atualizado em: 04/11/2026

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A praia de Copacabana fica na zona sul da cidade do Rio de Janeiro. A faixa de areia que existe hoje é, em grande parte, artificial: no início dos anos 1970, cerca de 4 milhões de metros cúbicos de areia foram bombeados para a praia, que ficou bem mais larga. Pesquisadoras da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) mediram, entre 2016 e 2017, quanto dessa largura continua lá.

FichaDados
Estado e municípioRio de Janeiro; Rio de Janeiro, bairro de Copacabana
Tipo de praiapraia arenosa urbana, em arco
Alimentação artificialinício dos anos 1970 (1970 a 1972, segundo Lins-de-Barros e Guerra, 2020)
Areia lançadacerca de 4 milhões de m³; areia dragada da enseada de Botafogo e da Ilha de Cotunduba (Linhares da Silva e Lins-de-Barros, 2018)
Largura média em 2016 e 2017cerca de 73 m (Linhares da Silva e Lins-de-Barros, 2018)
Área protegidao CNUC registra no município do Rio a APA da Orla Marítima, municipal (Lei 1.272/1988); o texto com os limites não foi localizado
Principais pressõesressacas, perda de areia desde a obra

Por que a praia foi alargada

Desde o começo do século 20, as ressacas, que são ondas fortes ligadas a tempestades no mar, danificavam muros, calçadas e prédios da orla de Copacabana (Linhares da Silva e Lins-de-Barros, 2018). A Avenida Atlântica, inaugurada em 1906, teve o calçadão e parte da pista destruídos por uma ressaca perto do atual posto 4 (Lins-de-Barros e Guerra, Ciência Hoje, 2020). Segundo o artigo de 2020, a alimentação artificial dos anos 1970 serviu para “garantir a segurança dos prédios e da avenida litorânea” e para permitir o uso da praia para lazer. O trabalho de 2018 liga a necessidade de alargar a faixa de areia também ao aumento da população do bairro.

A obra

A areia foi dragada da enseada de Botafogo e da Ilha de Cotunduba e levada em balsas, de onde foi bombeada para a zona de arrebentação por tubulações. Foram cerca de 4 milhões de metros cúbicos, de uma areia mais grossa que a de hoje (Linhares da Silva e Lins-de-Barros, 2018).

Quanto a praia alargou: os números das fontes. As fontes não dão o mesmo número para o antes e o depois:

  • O trabalho de 2018 da UFRJ cita uma largura média de cerca de 61 metros antes da obra, medida só no centro da praia (Kowsmann, 1970). O plano da obra (Vera-Cruz, 1972) partia de 55 metros médios e previa somar 90, chegando a 145 metros. Ao fim da obra, a largura média ficou em cerca de 90 metros, segundo o mesmo trabalho.
  • O artigo de 2020 na revista Ciência Hoje, de pesquisadoras da UFRJ e da UERJ, diz que a faixa de areia “tinha cerca de 55 metros de largura” e “passou a aproximadamente 145 metros”.

O trabalho de 2018 observa que os 61 metros foram medidos só no centro da praia, e que os 55 metros do plano são a média da praia toda. Os números do artigo de 2020 são iguais aos do plano da obra.

Como a praia está hoje

Entre novembro de 2016 e novembro de 2017, as pesquisadoras da UFRJ mediram a praia em três pontos. A largura média no arco foi de cerca de 73 metros, o que, segundo as pesquisadoras, mostra “uma diminuição significativa de sedimentos em relação ao seu alargamento”. Por ponto, a largura foi de 27 metros no canto leste, 123 metros no centro e 68 metros no canto oeste. O canto leste, o mais estreito, é também o mais vulnerável às ressacas. A faixa de areia tende a ficar menor de junho a outubro, quando chegam as frentes frias e as ondas mais fortes, e no canto oeste apareceram degraus de erosão de até 1,30 metro em alguns meses. Mesmo depois da obra, há registros de ressacas que atravessaram a areia até o calçadão (Linhares da Silva e Lins-de-Barros, 2018). O artigo de 2020 registra que a obra “não impediu a erosão no limite sul da praia, provocada por ressacas” (Lins-de-Barros e Guerra, 2020).

Os riscos que as ressacas trazem para quem vive no litoral estão em Proteção das comunidades costeiras. No bairro, dois parques guardam trechos de Mata Atlântica: o Parque Natural Municipal José Guilherme Merquior e o Parque Estadual da Chacrinha.

Resumo: principais perguntas e respostas

A areia da praia de Copacabana é artificial?

Em grande parte, sim. No início dos anos 1970, cerca de 4 milhões de metros cúbicos de areia, dragados da enseada de Botafogo e da Ilha de Cotunduba, foram bombeados para a praia.

Por que a praia de Copacabana foi alargada?

Para garantir a segurança dos prédios e da avenida da orla e permitir o uso da praia para lazer, segundo pesquisadoras da UFRJ e da UERJ (2020).

Quanto a praia de Copacabana alargou?

As fontes divergem: um trabalho da UFRJ de 2018 dá cerca de 90 metros médios no fim da obra, e um artigo de 2020 diz que a praia passou de cerca de 55 para cerca de 145 metros.

Qual é a largura da praia de Copacabana hoje?

Cerca de 73 metros em média, na medição da UFRJ entre 2016 e 2017, com 27 metros no canto leste e 123 metros no centro.

A praia de Copacabana ainda sofre com ressacas?

Sim. Mesmo depois da obra, há registros de ressacas que chegaram ao calçadão, e o canto leste é o trecho mais vulnerável.

Fontes

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