Devian Zutter
Produtor de vídeos e ambientalista com larga experiência internacional em produções voltadas para proteção ambiental
Atualizado em: 04/11/2026
A praia de Marudá fica no município de Marapanim, no nordeste do Pará, à margem do estuário do rio Marapanim. É uma praia de estuário, onde a água do rio se mistura com a do oceano (veja Estuários). A orla tem cerca de 453 metros, e as casas ficam “adjacentes à linha de costa em praticamente toda sua extensão”, segundo um estudo da Universidade Federal do Pará (UFPA) publicado em 2022 (Negrão, Sousa e Ranieri, Revista Brasileira de Geomorfologia, 2022).
| Ficha | Dados |
|---|---|
| Estado e município | Pará; Marapanim |
| Tipo de praia | praia arenosa de estuário, urbanizada |
| Orla | cerca de 453 m; construída em 2004 (Negrão e colaboradores, 2022) |
| Linha da costa, 2010 a 2020 | avanço de 42 m, só numa pequena área ao norte (Negrão e colaboradores, 2022) |
| Risco de erosão | “muito elevado” no setor central, elevado no sul e baixo no norte (Negrão e colaboradores, 2022) |
| Área protegida | o CNUC registra em Marapanim a Resex Marinha Mestre Lucindo, federal (Decreto s/n de 10/10/2014); o texto com os limites não foi localizado |
| Principais pressões | ocupação junto da linha de costa, aterros, obras de contenção |
A orla e a ocupação
Segundo o estudo, a construção da Orla de Marudá “ocorreu em meados de 2004”, para “melhor atender aos turistas”, e está ligada ao crescimento da ocupação. A orla é o calçadão da praia, e o estudo registra também obras de lazer com aterros e píer ou plataformas de pesca. No setor central há muros de arrimo e barreiras de rochas, e o trecho estudado também tem proteções improvisadas, como sacos de areia e estacas de madeira (Negrão e colaboradores, 2022). Por que uma obra rígida pode mudar o caminho da areia está em Proteção costeira.
O que a UFPA mediu
Comparando imagens de 2010 e 2020, o estudo registrou “42 m de avanço da linha de costa na praia de Marudá”, mas só numa pequena área ao norte. Mesmo assim, o setor central ficou com vulnerabilidade e risco “muito elevados”. Segundo os autores, as regiões com erosão severa coincidem “com os locais onde há maiores modificações antrópicas”, e “a ação antrópica, somada aos processos naturais, tem contribuído para erosão costeira local”. O estudo encontrou também “regiões de mangue com muito tombamento” em Marudá e no Crispim (Negrão e colaboradores, 2022). Como funciona a erosão de uma praia está em Erosão costeira, e o que é o mangue, em Mangues e manguezais.
Resumo: principais perguntas e respostas
Em Marapanim, no nordeste do Pará, à margem do estuário do rio Marapanim.
Entre 2010 e 2020, o estudo da UFPA registrou avanço de 42 metros só numa pequena área ao norte e não dá números para o resto da praia.
Porque as casas ficam junto da linha de costa em quase toda a orla. O setor central ficou com risco “muito elevado”, e os autores ligam a erosão severa às maiores modificações feitas pelas pessoas.
Em meados de 2004, segundo o estudo de 2022, que a liga ao crescimento da ocupação.
O estudo registrou regiões de mangue com muito tombamento em Marudá e no Crispim.
Fontes
- NEGRÃO, Y. S.; SOUSA, H. C.; RANIERI, L. A. Vulnerabilidade à erosão costeira em praias amazônicas e a ocupação populacional em áreas de riscos. Revista Brasileira de Geomorfologia, v. 23, n. 2, p. 1265-1282, 2022.
- Ministério do Meio Ambiente. Cadastro Nacional de Unidades de Conservação, dados abertos, edição de julho de 2026.
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