Devian Zutter
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Atualizado em: 04/11/2026
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A praia do Farol Velho fica em Salinópolis, no nordeste do Pará, no trecho central da orla oceânica da cidade. Uma tese da Universidade Federal do Pará (UFPA) concluiu que é ali o trecho “com maiores impactos ambientais e com elevada erosão costeira” dessa orla (Ranieri, tese, UFPA, 2014).
| Ficha | Dados |
|---|---|
| Estado e município | Pará; Salinópolis |
| Tipo de praia | praia arenosa oceânica, com afloramentos de rocha |
| Linha da costa, 1988 a 2001 | +0,06 m por ano (Ranieri e El-Robrini, 2015) |
| Linha da costa, 2001 a 2013 | −1,62 m por ano (Ranieri e El-Robrini, 2015) |
| Recuo médio, 1988 a 2013 | cerca de 43 m (Ranieri e El-Robrini, 2015) |
| Área protegida | o CNUC registra em Salinópolis o Monumento Natural Atalaia (estadual, Decreto 2.077/2018) e a Resex Viriandeua (federal, Decreto 11.958/2024); o memorial descritivo do Monumento nomeia apenas a praia do Atalaia |
| Principais pressões | casas sobre antigos terraços de dunas, dunas devastadas, alta exposição às ondas, obras de contenção |
As casas sobre as dunas
Na praia do Farol Velho, as casas foram construídas sobre antigos terraços de dunas, e há afloramentos de rocha na faixa de areia (Ranieri, 2014). Segundo a tese, é a praia “onde ocorrem os maiores impactos sócioeconômicos em função de erosão costeira, visto que há elevada especulação imobiliária bem próxima à praia”. Um artigo de 2015, da mesma autora com Maâmar El-Robrini, registra que a ocupação desse setor “ocorreu sem nenhum critério de ordenamento” e que “a maior parte destas dunas foi devastada, restando apenas um pequeno núcleo de dunas inativas”. Segundo o artigo, no setor central “o grau de exposição às ondas é alto e o nível de ocupação é médio” (Ranieri e El-Robrini, Pesquisas em Geociências, 2015). O papel das dunas está em Dunas costeiras.
O que a UFPA mediu de 1988 a 2013
O artigo de 2015 comparou imagens de satélite de 1988, 2001 e 2013 ao longo de toda a orla oceânica de Salinópolis. No setor central, onde fica o Farol Velho, a linha da costa ficou quase parada de 1988 a 2001 (+0,06 metro por ano) e passou a recuar de 2001 a 2013 (−1,62 metro por ano). No período todo, o recuo médio foi de cerca de 43 metros. Os autores descrevem uma tendência cada vez mais erosiva, hoje moderada pelas obras de contenção (Ranieri e El-Robrini, 2015).
Na mesma orla, o setor oeste, das praias da Corvina e do Maçarico, avançou sobre o mar, o que os autores ligam à construção da Orla do Maçarico em 2000 e à areia trazida pelo estuário do rio Sampaio. Para a orla como um todo, a conclusão é que “as áreas em erosão são pontuais” e ficam nos trechos mais urbanizados e mais expostos ao oceano (Ranieri e El-Robrini, 2015). Como funciona a erosão de uma praia está em Erosão costeira.
Os muros
Para conter a erosão, o artigo de 2015 registra “a construção de muros de arrimo, colocação de pedras e sacas de areia a frente das residências” (Ranieri e El-Robrini, 2015). A tese mostra em fotos de outubro de 2013 indícios de erosão nas principais praias de Salinópolis, entre elas a do Farol Velho (Ranieri, 2014). Por que uma obra rígida pode mudar o caminho da areia está em Proteção costeira.
Resumo: principais perguntas e respostas
Em Salinópolis, no nordeste do Pará, no trecho central da orla oceânica da cidade.
Sim. Uma tese da UFPA de 2014 concluiu que é o trecho com maiores impactos ambientais e elevada erosão costeira da orla oceânica de Salinópolis.
Cerca de 43 metros em média entre 1988 e 2013, com recuo de 1,62 metro por ano de 2001 a 2013, segundo um artigo de 2015.
Segundo um artigo de 2015, no setor central o grau de exposição às ondas é alto, e a ocupação “ocorreu sem nenhum critério de ordenamento”, com casas sobre antigos terraços de dunas e a maior parte das dunas devastada.
O memorial descritivo do decreto que criou o Monumento, em 2018, nomeia apenas a praia do Atalaia.
Fontes
- RANIERI, L. A.; EL-ROBRINI, M. Evolução da linha de costa de Salinópolis, Nordeste do Pará, Brasil. Pesquisas em Geociências, v. 42, n. 3, p. 207-226, 2015.
- RANIERI, L. A. Morfodinâmica costeira e o uso da orla oceânica de Salinópolis (Nordeste do Pará, Brasil). Tese de doutorado, Programa de Pós-Graduação em Geologia e Geoquímica, UFPA, 2014.
- PARÁ. Decreto nº 2.077, de 23 de maio de 2018. Cria o monumento natural Atalaia, em Salinópolis.
- Ministério do Meio Ambiente. Cadastro Nacional de Unidades de Conservação, dados abertos, edição de julho de 2026.
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