Devian Zutter
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Atualizado em: 04/11/2026
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A praia de Ajuruteua fica no município de Bragança, no nordeste do Pará, numa costa cercada de manguezais e cortada por canais de maré. Tem cerca de 2,5 km, e a amplitude da maré, a diferença entre a maré alta e a baixa, fica em torno de 4,8 metros, segundo as tábuas de maré citadas no estudo (Busman e colaboradores, 2003). Uma estrada liga a praia à cidade de Bragança desde os anos 1980, e foi depois dela que a ocupação cresceu (Rodrigues e colaboradores, 2021).
| Ficha | Dados |
|---|---|
| Estado e município | Pará; Bragança |
| Tipo de praia | praia arenosa de macromaré, entre manguezais |
| Extensão | cerca de 2,5 km (Busman e colaboradores, 2003) |
| Maré | amplitude em torno de 4,8 m, pelas tábuas de maré (Busman e colaboradores, 2003) |
| Estrada | obra iniciada em 1973 e concluída dez anos depois (Rodrigues e colaboradores, 2021) |
| Área protegida | o decreto que criou a Resex Marinha Caeté-Taperaçu (federal, 20/5/2005) exclui da reserva uma área ao longo da costa da localidade de Ajuruteua e a rodovia PA-458 |
| Principais pressões | erosão costeira, ocupação sobre as dunas, desmatamento de mangue para construir |
A estrada e a ocupação
A construção da estrada entre Bragança e Ajuruteua começou em 1973 e foi concluída dez anos mais tarde. Depois dela, a ocupação cresceu, e segundo um estudo publicado em 2021 o padrão de ocupação se mantém “continuo e desordenado, sem controle ou fiscalização por parte do poder público local”. O mesmo estudo cita 392 moradores permanentes (Monteiro e colaboradores, 2009) e cerca de 45 mil pessoas por fim de semana no pico de julho (Mendes e colaboradores, 2013), como parte da pressão sobre a praia (Rodrigues e colaboradores, 2021).
Um estudo publicado em 2007 registrou que a ocupação desordenada sobre as dunas acontecia nos dois setores da praia e vinha “intensificando o processo erosivo” no setor noroeste. Registrou também desmatamento de mangue e de campos alagados para construir (Barbosa e colaboradores, Boletim Paranaense de Geociências, 2007). Em 2003, algumas construções já estavam no estirâncio, a faixa que a maré cobre e descobre, porque a erosão tinha destruído as dunas em que foram erguidas (Busman e colaboradores, 2003). O papel das dunas está em Dunas costeiras.
O que os estudos mediram
- 2003. Citando Souza Filho e colaboradores (2003), o estudo de 2007 registra que o setor noroeste perdia cerca de 2,21 metros de praia por mês, enquanto o sudeste ganhava cerca de 1,46 metro por mês. Segundo o mesmo estudo, citando Pereira e colaboradores, entre 2003 e 2004 mais de 15 casas do setor noroeste foram destruídas ou levadas para áreas mais protegidas, e 85% das casas eram de madeira (Barbosa e colaboradores, 2007).
- 2007 a 2014. Pelas imagens de satélite, a linha da costa recuou cerca de 25 metros em média, segundo o Serviço Geológico do Brasil (CPRM, 2015), citado em 2021 (Rodrigues e colaboradores, 2021).
- 2014 a 2018. Os registros da Defesa Civil de julho de 2014 a março de 2018 somam 50 unidades habitacionais danificadas ou destruídas, contando bares, restaurantes, pousadas e residências, com perdas de cerca de R$ 2,38 milhões. Dados da Defesa Civil e da Secretaria do Patrimônio da União (SPU), citados no estudo, apontam 129 casas em alto risco (Rodrigues e colaboradores, 2021).
Como funciona a erosão de uma praia está em Erosão costeira.
A reserva extrativista em volta
A Reserva Extrativista Marinha Caeté-Taperaçu foi criada em 20 de maio de 2005, em Bragança, com cerca de 42 mil hectares. Segundo o decreto, o objetivo é “proteger os meios de vida” da população extrativista. O decreto de criação exclui da reserva uma área ao longo da costa da localidade de Ajuruteua e a rodovia PA-458, que liga a sede do município a Ajuruteua (Decreto de 20 de maio de 2005). O que é o mangue e por que ele importa está em Mangues e manguezais.
Resumo: principais perguntas e respostas
No município de Bragança, no nordeste do Pará, numa costa de manguezais ligada à cidade por uma estrada.
Os estudos apontam a erosão costeira, intensificada pela ocupação desordenada sobre as dunas, que cresceu depois da estrada concluída nos anos 1980.
Entre 2007 e 2014, cerca de 25 metros em média, segundo o Serviço Geológico do Brasil, citado num estudo de 2021.
Entre julho de 2014 e março de 2018, a Defesa Civil registrou 50 unidades habitacionais danificadas ou destruídas, entre bares, restaurantes, pousadas e residências, segundo um estudo de 2021.
O decreto que criou a Resex Marinha Caeté-Taperaçu, em 2005, exclui da reserva uma área ao longo da costa da localidade de Ajuruteua e a rodovia PA-458.
Fontes
- BUSMAN, D. V. e colaboradores. Morfologia da praia de Ajuruteua-PA (Brasil), durante uma maré equinocial de sizígia. Congresso sobre Planejamento e Gestão das Zonas Costeiras dos Países de Expressão Portuguesa, 2003.
- BARBOSA, V. M. e colaboradores. Estudo morfodinâmico durante uma maré equinocial de sizígia em uma praia de macromaré do litoral amazônico (Praia de Ajuruteua-PA, Brasil). Boletim Paranaense de Geociências, n. 60-61, p. 31-43, 2007.
- RODRIGUES, H. S.; LIMA, A. M. M.; KUHN, P. A. F.; RODRIGUES, H. J. B.; ROCHA, E. J. P. Vulnerabilidade econômica: produto da erosão costeira em Ajuruteua – Bragança/PA. Research, Society and Development, v. 10, n. 16, 2021.
- BRASIL. Decreto de 20 de maio de 2005. Cria a reserva extrativista Marinha de Caeté-Taperaçu, no Município de Bragança, Estado do Pará.
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