Devian Zutter
Produtor de vídeos e ambientalista com larga experiência internacional em produções voltadas para proteção ambiental
Atualizado em: 04/11/2026
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A praia de Iracema fica em Fortaleza, capital do Ceará, na orla central da cidade. É uma praia urbana dividida por espigões, estruturas de pedra que avançam mar adentro para segurar a areia. Em 2019, um trecho dela foi alargado com areia tirada do fundo do mar, numa obra acompanhada por pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC).
| Ficha | Dados |
|---|---|
| Estado e município | Ceará; Fortaleza |
| Tipo de praia | praia arenosa urbana, entre espigões |
| Engorda | outubro e novembro de 2019, cerca de 1,2 km (Nascimento, UFC, 2022) |
| Alargamento da faixa de areia | cerca de 40 m no trecho do Meireles e cerca de 80 m no outro trecho (Nascimento, UFC, 2022) |
| Origem da areia | jazida no fundo do mar, na plataforma continental de Fortaleza, área do Mucuripe |
| Área protegida | nenhuma unidade de conservação do CNUC em Fortaleza tem a praia de Iracema no nome |
| Principais pressões | obras na costa, ocupação da orla |
O que mudou esta praia
O porto e os espigões. Um trabalho de conclusão de curso do Instituto de Ciências do Mar (Labomar) da UFC registra que, em 1940, a construção de um píer protegido no porto do Mucuripe mudou a dinâmica da areia na costa de Fortaleza e passou a mandar ondas mais fortes para a orla. O mesmo estudo liga a erosão da zona costeira à ocupação sem controle da costa. A área estudada fica entre os espigões da Rua João Cordeiro, da Avenida Rui Barbosa e da Avenida Desembargador Moreira (Nascimento, UFC, 2022). Por que um espigão pode segurar areia de um lado e tirar do outro está em Proteção costeira.
A engorda de 2019. A obra foi feita entre outubro e novembro de 2019, ao longo de cerca de 1,2 km, nas praias do Meireles e de Iracema. A faixa de areia ganhou cerca de 40 metros no trecho do Meireles e cerca de 80 metros no outro trecho. A areia veio de uma jazida no fundo do mar, na plataforma continental de Fortaleza, na área do Mucuripe (Nascimento, UFC, 2022).
O alerta durante a obra. Em outubro de 2019, com a obra já em execução, o Labomar, convidado pela Prefeitura para estudar e monitorar os impactos, alertou que “os recifes de arenito que serão cobertos pelo aterro deixarão de existir”, e que a vida da faixa de areia, que muitos consideram sem vida, também seria perdida. Entre os riscos listados estavam a mudança na qualidade da água e a interferência sobre os botos-cinza. Em nota, a Prefeitura afirmou que o estudo que contratou à Universidade Estadual do Ceará (Uece) não identificava risco de impactos ambientais e que “já foi comprovado que não tem corais nessa área” (Eco Nordeste, 10/10/2019).
A qualidade da água depois da obra
O trabalho da UFC acompanhou a água antes, durante e depois da engorda. Nenhuma amostra passou do limite de coliformes termotolerantes para banho. O pH da superfície ficou um pouco acima do limite em média, sem dano significativo identificado. Os limites para criação de moluscos foram ultrapassados em algumas estações, durante e depois da obra. A conclusão é que, um ano depois, a obra “não alterou significativamente as condições de qualidade da água” para os usos previstos na classe da água do local (Nascimento, UFC, 2022).
Resumo: principais perguntas e respostas
Em Fortaleza, capital do Ceará, na orla central da cidade.
Entre outubro e novembro de 2019, ao longo de cerca de 1,2 km, segundo um trabalho da UFC.
Cerca de 40 metros no trecho do Meireles e cerca de 80 metros no outro trecho, segundo o mesmo trabalho.
Que os recifes de arenito cobertos pelo aterro deixariam de existir, segundo reportagem de outubro de 2019. A Prefeitura disse, na época, que o estudo que contratou não via risco ambiental.
Um trabalho da UFC concluiu que, um ano depois, a obra não alterou de forma significativa a qualidade da água para os usos previstos, embora limites para criação de moluscos tenham sido ultrapassados em algumas estações.
Fontes
- NASCIMENTO, F. C. S. Efeito da engorda artificial das praias do Meireles e Iracema sobre as condições de qualidade da água. Trabalho de conclusão de curso, Instituto de Ciências do Mar, Universidade Federal do Ceará, 2022.
- Eco Nordeste. Novo aterro da Beira Mar pode causar riscos ambientais, alerta Labomar, 10 de outubro de 2019.
- Ministério do Meio Ambiente. Cadastro Nacional de Unidades de Conservação, dados abertos, edição de julho de 2026.
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