Devian Zutter
Produtor de vídeos e ambientalista com larga experiência internacional em produções voltadas para proteção ambiental
Atualizado em: 04/11/2026
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A Praia Grande fica em Salvaterra, na costa leste da Ilha do Marajó, no Pará. É uma praia de estuário, banhada pela água da baía do Marajó, onde a água doce dos rios se mistura com a do oceano (veja Estuários). Tem cerca de 1,2 km e fica, em grande parte, ao pé de falésias. O rio Paracauari separa Salvaterra de Soure, onde fica a praia da Barra Velha (Sousa e colaboradores, 2025).
| Ficha | Dados |
|---|---|
| Estado e município | Pará; Salvaterra (Ilha do Marajó) |
| Tipo de praia | praia arenosa de estuário, ao pé de falésias |
| Extensão | cerca de 1,2 km (Sousa e colaboradores, 2025) |
| Maré | semidiurna, com amplitude de 2,5 a 3,7 m (Sousa e colaboradores, 2025) |
| Linha da costa, 2003 a 2019 | quase estável: −0,03 m por ano em média (Sousa e colaboradores, 2025) |
| Área protegida | o CNUC registra em Salvaterra a APA do Arquipélago do Marajó, estadual, criada pela Constituição do Pará (1989); o texto com os limites não foi localizado |
| Principais pressões | erosão das falésias, ocupação da orla, muro de contenção |
As falésias e a erosão
As falésias de Salvaterra chegam a 6 metros de altura e são cortadas em sedimentos antigos, do Grupo Barreiras e do Pós-Barreiras (Sousa, dissertação, UFPA, 2021). Um estudo de 2011 classificou a orla norte de Salvaterra como de alta vulnerabilidade ambiental. Segundo a autora, o setor norte “é marcado pela erosão”, que forma falésias, plataformas de abrasão e bancos de cascalho, e as ruas perto da linha de costa “são atingidas pela erosão das falésias”. A orla central e a sul da Praia Grande ficaram com vulnerabilidade média (Lisbôa, Revista Brasileira de Geografia Física, 2011). Como funciona a erosão de uma praia está em Erosão costeira.
O que a UFPA mediu entre 2003 e 2019
Pesquisadoras da Universidade Federal do Pará (UFPA) compararam imagens de satélite de 2003 e 2019 e mediram perfis da praia. Na média, a linha da costa da Praia Grande variou só −0,03 metro por ano, o que os autores leem como estabilidade. O setor noroeste recuou 0,35 metro por ano e o sudeste avançou 0,33 metro por ano. A área vizinha, na direção da foz do rio Paracauari, teve uma leve tendência de erosão, de −0,54 metro por ano (Sousa e colaboradores, 2025).
Na mesma comparação, a praia da Barra Velha, em Soure, do outro lado do rio, recuou dezenas de metros. Os autores concluem que a maior causa da erosão nas duas praias é a força das águas do estuário, e que o risco é de baixo a moderado (Sousa e colaboradores, 2025).
A ocupação da orla
Em 2021, cerca de 15% da faixa de 200 metros atrás da praia estava ocupada no setor noroeste e 17% no sudeste. No noroeste há cerca de 200 metros de bares e restaurantes, e no sudeste, um hotel a cerca de 50 metros da linha da costa (Sousa, 2021). Um muro de contenção foi inaugurado na orla em dezembro de 2020 (Sousa, 2021). Segundo o artigo de 2025, no setor noroeste as falésias ativas foram substituídas por estruturas rígidas, e o muro impede a troca natural de areia entre a parte seca e a parte molhada da praia (Sousa e colaboradores, 2025). Por que uma obra rígida muda o caminho da areia está em Proteção costeira.
Resumo: principais perguntas e respostas
Na costa leste da Ilha do Marajó, no Pará, à beira da baía do Marajó, perto da foz do rio Paracauari.
É uma praia de estuário: a água da baía do Marajó mistura a água doce dos rios com a do oceano, segundo o estudo da UFPA de 2025.
Na média, quase não: entre 2003 e 2019, a linha da costa variou −0,03 metro por ano. O setor noroeste recuou um pouco, e o sudeste avançou.
Segundo um estudo de 2011, no setor norte da orla a erosão forma falésias, plataformas de abrasão e bancos de cascalho, e atinge ruas perto da linha de costa.
O CNUC registra em Salvaterra a APA do Arquipélago do Marajó, criada pela Constituição do Pará em 1989. O texto com os limites não foi localizado.
Fontes
- SOUSA, M. B. P.; BAÍA, L. B.; MARTINELLI FILHO, J. E.; COOPER, A.; RANIERI, L. A. Erosion vulnerability and risk on Amazon estuarine beaches (Marajó Island, Brazil). Ocean and Coastal Research, v. 73, 2025.
- SOUSA, M. B. P. Mudanças morfológicas em praias da costa leste da Ilha do Marajó e os níveis de vulnerabilidade à erosão. Dissertação, Programa de Pós-Graduação em Oceanografia, UFPA, 2021.
- LISBÔA, T. F. P. Vulnerabilidade ambiental da orla costeira do município de Salvaterra, Ilha de Marajó-PA. Revista Brasileira de Geografia Física, v. 4, n. 1, 2011.
- Ministério do Meio Ambiente. Cadastro Nacional de Unidades de Conservação, dados abertos, edição de julho de 2026.
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