Redução dos níveis de oxigênio nos oceanos – causas e impactos

Redução ou desoxigenação dos níveis de oxigênio oceanos
Redução ou desoxigenação dos níveis de oxigênio oceanos
Redução ou desoxigenação dos níveis de oxigênio oceanos
Redução ou desoxigenação dos níveis de oxigênio oceanos

A redução ou a perda dos níveis de oxigênio nos oceanos, também conhecida como desoxigenação oceânica, é um dos fenômenos ambientais mais alarmantes das últimas décadas. De acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), a quantidade de oxigênio nos oceanos diminuiu 2% nos últimos 50 anos, o que pode parecer pouco, mas representa um impacto devastador para os ecossistemas marinhos e a biodiversidade global. Esse fenômeno é causado por uma combinação de aquecimento global, poluição e mudanças nos padrões de circulação oceânica, e está criando áreas inteiras sem oxigênio, conhecidas como zonas mortas.

O que são zonas mortas nos oceanos e quais são os impactos?

Neste artigo, vamos explorar o que está provocando a desoxigenação dos oceanos, quais são suas consequências para a vida marinha e como esse fenômeno afeta a pesca e a saúde dos ecossistemas costeiros. Além disso, vamos discutir quais medidas estão sendo tomadas para enfrentar esse problema e como o futuro dos oceanos depende de ações urgentes.

Você sabia que as zonas mortas nos oceanos já aumentaram em 400% desde a década de 1950? Isso significa que mais de 500 áreas oceânicas ao redor do mundo agora sofrem com níveis críticos de oxigênio, onde praticamente nenhuma vida marinha consegue sobreviver.

O que é a redução ou desoxigenação dos oceanos? #

A desoxigenação dos oceanos é a redução dos níveis de oxigênio dissolvido na água, que ocorre quando a concentração de oxigênio cai abaixo do necessário para sustentar a vida marinha. Esse fenômeno é agravado pelo aquecimento global e pela poluição, que aumentam a demanda por oxigênio e, ao mesmo tempo, reduzem sua disponibilidade. Quando os níveis de oxigênio caem abaixo de 2 mg/L (miligramas por litro), a água é considerada hipóxica. Em concentrações abaixo de 0,5 mg/L, ela é classificada como uma zona morta.

Depleção de Oxigênio (Hipóxia) nos Oceanos, Rios e Mares

Segundo o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), se o aquecimento global continuar no ritmo atual, os níveis de oxigênio nos oceanos podem cair até 7% até o final do século, criando condições letais para muitas espécies marinhas. A falta de oxigênio afeta principalmente áreas costeiras e zonas de ressurgência, onde a mistura de nutrientes e a circulação de águas profundas são cruciais para a saúde dos ecossistemas.

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Quais são as causas dessa redução de oxigênio nos oceanos?

Causas da redução dos níveis de oxigênio nos oceanos #

1. Desoxigenação dos oceanos #

A desoxigenação dos oceanos é impulsionada principalmente por dois fatores: o aquecimento das águas e a poluição por nutrientes. O aquecimento global, causado pelo aumento das emissões de gases de efeito estufa, eleva a temperatura das águas superficiais, tornando-as menos capazes de reter oxigênio. Quando a água esquenta, o oxigênio se dissolve menos, assim como um refrigerante que perde o gás em temperaturas mais altas.

Desoxigenação dos oceanos – O que é, causas e impactos

2. Mudanças nas correntes oceânicas #

Além disso, as mudanças nas correntes oceânicas causadas pelo aquecimento afetam a circulação de águas profundas, que normalmente transportam oxigênio para áreas mais profundas do oceano. Isso resulta na formação de áreas estagnadas e sem oxigênio. A NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA) alerta que, se as temperaturas continuarem a subir, a capacidade dos oceanos de reter oxigênio pode cair até 20% em algumas regiões.

3. poluição por nutrientes #

Outro fator importante é a poluição por nutrientes, principalmente o excesso de nitrogênio e fósforo provenientes de escoamento agrícola e resíduos urbanos. Esses nutrientes promovem a proliferação de algas em águas costeiras, causando floração de algas nocivas. Quando essas algas morrem e se decompõem, elas consomem grandes quantidades de oxigênio, levando à formação de zonas hipóxicas. A IUCN estima que mais de 75% das zonas mortas identificadas no mundo estão associadas ao escoamento de nutrientes agrícolas.

Poluição por nutrientes – Causas, consequências e impactos

Mas quais são os impactos dessa redução de oxigênio para a vida marinha e os ecossistemas oceânicos?

Impactos da desoxigenação dos oceanos na vida marinha #

A redução ou perda dos níveis de oxigênio nos oceanos tem efeitos devastadores para a vida marinha, especialmente para espécies que são menos tolerantes a baixas concentrações de oxigênio, como peixes, crustáceos e cefalópodes (polvos e lulas). Quando o oxigênio se esgota, esses animais sofrem de asfixia, levando à morte em massa de populações inteiras.

Um exemplo claro é a zona morta no Golfo do México, que em 2023 atingiu uma área de mais de 22.000 km² – maior do que o estado de Sergipe. A cada verão, essa região experimenta um aumento maciço de floração de algas causadas pelo escoamento de fertilizantes do rio Mississippi. Isso leva ao colapso de peixes e crustáceos, afetando diretamente a indústria pesqueira local. Estima-se que a produtividade pesqueira da região tenha caído 35% nos últimos 20 anos, resultando assim em bilhões de dólares em perdas econômicas.

Outro impacto grave é o deslocamento de espécies marinhas. Espécies como o atum e o bacalhau, que normalmente habitam áreas ricas em oxigênio, estão migrando para zonas mais profundas ou para regiões com maior concentração de oxigênio. Em suma, isso altera completamente as cadeias alimentares e coloca em risco a sobrevivência de predadores de topo, como tubarões e golfinhos, que não conseguem acompanhar essas mudanças. Estudos mostram que até 70% das espécies migratórias estão mudando suas rotas devido à desoxigenação, levando assim a um desequilíbrio ecológico generalizado.

Além disso, a falta de oxigênio afeta a reprodução e o crescimento de muitas espécies. Organismos marinhos precisam de níveis adequados de oxigênio para realizar funções básicas, como respiração e desenvolvimento. Em águas hipóxicas, os peixes jovens e os embriões têm menor taxa de sobrevivência, resultando assim em redução das populações a longo prazo.

Com esses impactos alarmantes, como a desoxigenação afeta as comunidades humanas?

Consequências da desoxigenação dos oceanos para a pesca e a segurança alimentar #

A desoxigenação (perda ou redução dos níveis de oxigênio) dos oceanos representa uma ameaça significativa para a segurança alimentar global. Por isso. a pesca comercial e artesanal, que depende de uma abundância de peixes e frutos do mar, já está sofrendo os efeitos da redução dos níveis de oxigênio. Ou seja, regiões como o Atlântico Norte e o Pacífico Oriental, que abrigam algumas das maiores indústrias pesqueiras do mundo, estão enfrentando declínios de até 40% nas populações de espécies comerciais, segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura).

Em termos econômicos, a desoxigenação pode causar perdas de até 10 bilhões de dólares anuais para a indústria pesqueira global. Em países em desenvolvimento, onde comunidades costeiras dependem da pesca como principal fonte de proteína e renda, a falta de oxigênio nos oceanos pode levar a insegurança alimentar e ao aumento da pobreza. Mais de 3 bilhões de pessoas no mundo obtêm 20% de suas necessidades proteicas de peixes e frutos do mar. A diminuição dessas populações afeta diretamente a nutrição e o bem-estar de milhões de famílias.

Além disso, a redução dos níveis de oxigênio nos oceanos (desoxigenação) impacta a saúde dos ecossistemas costeiros, que atuam como berçários para muitas espécies. Zonas mortas costeiras não conseguem sustentar a biodiversidade, resultando em degradação de habitats importantes, como manguezais e recifes de corais. Isso compromete a resiliência dos ecossistemas frente a mudanças climáticas e eventos extremos, como tempestades e inundações.

Com tantos impactos negativos, o que está sendo feito para combater a redução ou perda dos níveis de oxigênio nos oceanos?

Ações para enfrentar a redução dos níveis de oxigênio nos oceanos #

Para combater a redução dos níveis de oxigênio nos oceanos (desoxigenação) dos oceanos, é necessário reduzir as emissões de gases de efeito estufa e controlar a poluição por nutrientes. Implementar práticas agrícolas sustentáveis, como uso controlado de fertilizantes e proteção de áreas úmidas, pode reduzir significativamente o escoamento de nitrogênio e fósforo para os oceanos.

Outro passo importante é a proteção e restauração de habitats costeiros. Manguezais, estuários e pântanos atuam como filtros naturais para poluentes e ajudam a regular o fluxo de nutrientes para os mares. Restaurar esses ecossistemas pode diminuir em até 50% a quantidade de nutrientes que chegam aos oceanos, segundo um estudo publicado na Science.

Além disso, é fundamental monitorar e mapear zonas mortas para identificar áreas críticas e implementar estratégias de mitigação. Programas como o Global Ocean Oxygen Network (GO2NE), da UNESCO, estão trabalhando para rastrear a redução dos níveis de oxigênio nos oceanos (desoxigenação) e propor soluções baseadas em políticas públicas e conservação ambiental.

Programa Oceânico GEMS – Monitoramento marinho


Resumo – Perguntas e respostas sobre a redução dos níveis de oxigênio nos oceanos #

O que é a desoxigenação dos oceanos?

É a redução e a perda dos níveis de oxigênio dissolvido nos oceanos, causada pelo aquecimento global, bem como pela poluição por nutrientes.

Quais são as causas da desoxigenação?

A principal causa é o aquecimento global, que reduz a capacidade da água de reter oxigênio, e a poluição por nutrientes, que aumenta a demanda de oxigênio.

Como a desoxigenação afeta a vida marinha?

Ela causa a morte de peixes e crustáceos, altera cadeias alimentares e reduz a capacidade de reprodução das espécies.

Quais são as consequências para a pesca?

A desoxigenação leva à diminuição das populações de peixes comerciais, resultando assim em prejuízos econômicos e insegurança alimentar.

É possível reverter a desoxigenação dos oceanos?

Sim, com redução das emissões de CO₂, práticas agrícolas sustentáveis e restauração de ecossistemas costeiros, é possível mitigar os efeitos da desoxigenação.


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