123 Ecos Redação
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Atualizado em: 28/10/2026
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Biodiversidade marinha é a variedade de vida nos oceanos, mares e zonas costeiras. Inclui desde bactérias e algas microscópicas até as baleias, e também a variedade de ambientes marinhos, como recifes de coral, manguezais, bancos de algas, mar aberto e fundo do mar.
Os oceanos cobrem cerca de 71% da superfície da Terra. Grande parte da vida marinha ainda é desconhecida, sobretudo no fundo do mar.
Principais ecossistemas marinhos
- Recifes de coral: ocupam menos de 1% do fundo do oceano, mas abrigam mais de 25% da vida marinha, segundo o PNUMA.
- Manguezais: florestas na transição entre a terra e o mar, berçário de peixes, caranguejos e camarões.
- Pradarias marinhas e florestas de algas: abrigam peixes, tartarugas e invertebrados. Veja Plantas marinhas e Algas.
- Mar aberto: onde vivem o plâncton, grandes peixes, tubarões e baleias.
- Fundo do mar: inclui montes submarinos, fontes hidrotermais e planícies abissais, ainda pouco estudados.
Veja Ecossistemas costeiros.
Por que importa
Oxigênio e clima
Cerca de metade do oxigênio da Terra é produzida no oceano, pelo plâncton que faz fotossíntese, pelas algas e pelas plantas marinhas, segundo a NOAA. O oceano também absorve parte do gás carbônico emitido pelas pessoas e do calor acumulado pelo aquecimento global. Manguezais e pradarias marinhas guardam carbono no solo.
Alimentação e renda
Peixes, mariscos e outros alimentos aquáticos fornecem pelo menos 20% da proteína animal consumida por 3,2 bilhões de pessoas, segundo a FAO. A pesca e o turismo sustentam milhões de famílias no litoral.
Proteção da costa
Recifes, manguezais e restingas reduzem a força das ondas e a erosão.
O que dizem os dados
Pelo Índice Planeta Vivo de 2026, do WWF, as populações marinhas monitoradas caíram em média 59% entre 1970 e 2022, segundo o WWF-UK (o texto do WWF-Brasil traz 56%). O índice mede a variação média das populações acompanhadas, não a perda dessa proporção de todos os animais.
Entre os tubarões e raias oceânicos, a abundância caiu mais de 70% entre 1970 e 2018, principalmente por causa da pesca, segundo estudo publicado na Nature em 2021.
Principais ameaças
Pesca excessiva
Segundo a avaliação mais detalhada da FAO, publicada em 2025, 35,5% dos estoques pesqueiros marinhos estão sobrepescados, ou seja, são explorados acima da capacidade de reposição. Os outros 64,5% são pescados em níveis sustentáveis, e 77,2% do peixe desembarcado vem desses estoques bem manejados. A pesca também captura por acidente tartarugas, golfinhos e aves. O arrasto de fundo destrói habitats. Veja Sobrepesca e Pesca predatória.
Poluição
Segundo o PNUMA, mais de 11 milhões de toneladas de plástico entram nos oceanos por ano. Animais ingerem resíduos ou ficam presos neles, e os microplásticos entram na cadeia alimentar. O excesso de nutrientes de esgoto e fertilizantes provoca a eutrofização e pode formar zonas mortas. Veja Poluição nos oceanos.
Mudanças climáticas
O aquecimento da água provoca o branqueamento dos corais. A absorção de gás carbônico causa a acidificação dos oceanos, que dificulta a formação de conchas e esqueletos. A elevação do nível do mar ameaça manguezais e praias onde tartarugas desovam.
Destruição de habitats
Aterros, portos, ocupação do litoral, mineração e a criação de camarão em áreas de manguezal eliminam habitats costeiros.
Biodiversidade marinha no Brasil
O litoral brasileiro abriga recifes de coral, extensos manguezais no Norte e no Nordeste, costões rochosos e ilhas oceânicas. Em 2024, o MapBiomas mapeou pela primeira vez cerca de 20,4 mil hectares de recifes de coral em águas rasas na costa leste do país. Cerca de 72% deles estão em áreas marinhas protegidas, e a maior parte fica na região de Abrolhos, no sul da Bahia.
Pelo relatório do IEA-USP, as unidades de conservação cobrem 26,4% da área marinha brasileira, contra 1,5% antes. O salto veio sobretudo das grandes áreas criadas em 2018 nas ilhas oceânicas, como os arquipélagos de São Pedro e São Paulo e de Trindade e Martim Vaz. Veja Reservas marinhas do Brasil.
Como proteger
Áreas marinhas protegidas
Segundo o relatório Planeta Protegido de 2024, 8,4% dos oceanos e áreas costeiras do mundo estão protegidos. A meta mundial, aprovada em 2022, é chegar a 30% até 2030. Veja Áreas marinhas protegidas.
Pesca sustentável
Limites de captura baseados em ciência, defeso na época de reprodução, redes que reduzem a captura acidental e combate à pesca ilegal. Organizações regionais, como a Comissão Internacional para a Conservação do Atum do Atlântico (ICCAT), definem cotas para espécies que cruzam fronteiras. Veja Pesca sustentável.
Redução da poluição
Tratamento de esgoto, menos plástico descartável, gestão de resíduos e controle dos fertilizantes.
Proteção de espécies
O Projeto Tamar, criado nos anos 1980, protege as cinco espécies de tartarugas marinhas que ocorrem no Brasil, com o monitoramento das praias de desova e o trabalho com pescadores e comunidades do litoral.
Ciência e tecnologia
Satélites rastreiam barcos de pesca e detectam pesca ilegal. Sensores e robôs submarinos estudam o fundo do mar. Para os corais, pesquisadores testam o cruzamento e a seleção de colônias mais resistentes ao calor, uma técnica ainda experimental. Veja Restauração de corais.
Ver também: Ecossistemas aquáticos e Perda de biodiversidade aquática.
Resumo: principais perguntas e respostas
É a variedade de vida nos oceanos, mares e zonas costeiras, incluindo as espécies e os ambientes, como recifes, manguezais e mar aberto.
Porque o oceano produz cerca de metade do oxigênio, ajuda a regular o clima, protege a costa e fornece pelo menos 20% da proteína animal para 3,2 bilhões de pessoas.
Pesca excessiva, poluição, mudanças climáticas e destruição de habitats costeiros.
Cerca de 8,4% dos oceanos e áreas costeiras, segundo o relatório Planeta Protegido de 2024. A meta é 30% até 2030.
Satélites ajudam a fiscalizar a pesca, sensores e robôs estudam o fundo do mar e pesquisadores testam técnicas para tornar corais mais resistentes ao calor.
Fontes
- WWF-UK. Living Planet Report 2026 (comunicado de lançamento). 8/10/2026.
- WWF-Brasil, reproduzido por eCycle (CC BY-SA). Relatório aponta queda média de 73% nas populações monitoradas de animais silvestres. 8/10/2026.
- Bangor Daily News. Oceanic shark populations dropped 71 percent since 1970, sobre estudo publicado na Nature. Jan. 2021.
- Nausicaá. What is the IUCN Red List?
- FAO. Global fisheries and aquaculture production reaches a new record high. Jun. 2024.
- PNUMA. Plastic pollution and marine litter. Acesso em 24 out. 2026.
- IUCN. World must act faster to protect 30% of the planet, sobre o relatório Planeta Protegido 2024. 28 out. 2024.
- NOAA. How much oxygen comes from the ocean? Acesso em 24 out. 2026.
- ABCdoABC. Pesquisa aponta 20,4 mil hectares de recifes de coral na costa do país, com dados do MapBiomas. Ago. 2024.
- IEA-USP. A criação de áreas protegidas marinhas no Brasil. Jun. 2021.
- National Geographic Brasil. O que são os recifes de coral e como eles se formam, com dados do PNUMA. Jun. 2023.
- Alesp. Projeto Tamar de Ubatuba é referência nacional em conservação marinha.
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